FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 32 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 39 semanas, portadora de anemia falciforme, é admitida no hospital com queixa de dor pélvica intermitente e diminuição dos movimentos fetais. Ao exame: pressão arterial (PA) de 130/70 mmHg; frequência cardíaca (FC) de 84 bpm; e temperatura axilar (Tax) de 36,3 °C. Exame obstétrico: altura uterina (AU) de 35 cm; batimentos cardíacos fetais (BCF) de 120 bpm; dinâmica uterina (DU) com 4 contrações de 25 segundos em 10 minutos. No toque vaginal, o colo uterino está posterior, de consistência média, 5 dedos apagado, com 4 cm de dilatação, e o feto apresenta-se em cefálica no plano -2 DeLee. A paciente é internada e a cardiotocografia (CTG) revela um traçado de acordo com a imagem abaixo. Imagem adaptada: Intrapartum category I, II, and III fetal heart rate tracings: Management (UpToDate 2024). Com relação ao quadro clínico descrito, com base nas diretrizes atuais, assinale a alternativa que apresenta a conduta CORRETA para essa gestante.
CTG Categoria II com BCF 120 bpm → Estimulação couro cabeludo fetal para avaliar bem-estar.
Em gestantes de alto risco, como as com anemia falciforme, a monitorização fetal é intensificada. Um traçado de CTG Categoria II, com BCF limítrofe ou variabilidade reduzida, exige intervenções para avaliar a vitalidade fetal, como a estimulação do couro cabeludo, antes de considerar medidas mais invasivas.
A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial na monitorização fetal intraparto, classificando os traçados em Categorias I (normal), II (indeterminado) e III (anormal). A correta interpretação e manejo dos traçados, especialmente os de Categoria II, são cruciais para a segurança materno-fetal, particularmente em gestantes com comorbidades como a anemia falciforme, que aumenta o risco de complicações. A Categoria II exige uma avaliação mais aprofundada. A estimulação do couro cabeludo fetal é uma técnica simples e eficaz para testar a reatividade fetal. Uma aceleração do BCF após a estimulação indica um feto bem oxigenado e com boa reserva, permitindo a continuidade da monitorização e, se possível, o parto vaginal. A ausência de aceleração, por outro lado, sugere a necessidade de medidas de ressuscitação intrauterina ou, em casos refratários, a interrupção da gestação. O manejo da gestante com anemia falciforme requer atenção especial devido ao risco aumentado de crises vaso-oclusivas, infecções e complicações obstétricas. A monitorização fetal contínua e a pronta intervenção em caso de sinais de sofrimento fetal são fundamentais para otimizar os desfechos maternos e neonatais, equilibrando a busca pelo parto vaginal com a segurança da cesariana quando indicada.
Um traçado de CTG Categoria II é indeterminado, não sendo nem normal nem patológico. Pode incluir bradicardia leve, taquicardia, variabilidade mínima ou moderada com desacelerações variáveis ou tardias intermitentes, ou ausência de acelerações induzidas.
A estimulação do couro cabeludo fetal é indicada em traçados de CTG Categoria II para avaliar a reatividade fetal. Uma aceleração do BCF após a estimulação é um sinal tranquilizador de bem-estar fetal.
As medidas de ressuscitação intrauterina incluem mudança de decúbito materno, hidratação venosa, oxigenoterapia e, em alguns casos, tocolíticos, visando melhorar o fluxo sanguíneo uteroplacentário e a oxigenação fetal.
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