USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Gestante de 25 anos, 3G:2PN, chega ao pronto-socorro referindo dor em hipogástrio há 3 horas. Hoje com 33 semanas e 2 dias de gestação. Ao exame clínico: PA 113x76 mmHg, FC 74 bpm, presença de duas contrações uterinas por 10 minutos de fraca intensidade. Toque vaginal com colo grosso, posterior, pérvio para 3 cm, apresentação cefálica alta e móvel.Após analgesia, refere melhora das dores. Foi feita uma reavaliação do exame obstétrico que não demonstrou evolução do colo uterino, permanecendo com a mesma dilatação. Realiza a cardiotocografia apresentada. Qual é a conclusão desta cardiotocografia?
Cardiotocografia com variabilidade moderada, acelerações e ausência de desacelerações → indica bem-estar fetal.
Uma cardiotocografia que demonstra bem-estar fetal é caracterizada por variabilidade moderada da frequência cardíaca fetal, presença de acelerações transitórias e ausência de desacelerações significativas, indicando um feto não hipóxico.
A cardiotocografia (CTG) é um método de monitoramento fetal amplamente utilizado no pré-natal e durante o trabalho de parto para avaliar a vitalidade e o bem-estar fetal. Ela registra simultaneamente a frequência cardíaca fetal (FCF) e a atividade uterina, permitindo identificar padrões que podem indicar hipóxia ou sofrimento fetal. Uma CTG que demonstra bem-estar fetal é classificada como reativa. Os critérios para reatividade incluem uma FCF basal normal (110-160 bpm), variabilidade moderada (oscilações de 6 a 25 bpm na FCF), e a presença de pelo menos duas acelerações transitórias (aumento da FCF de pelo menos 15 bpm por 15 segundos) em um período de 20 minutos. A ausência de desacelerações significativas também é um indicativo de bem-estar. No caso apresentado, a melhora da dor após analgesia e a ausência de evolução do colo uterino, juntamente com uma CTG que, presumivelmente, atende aos critérios de reatividade (levando ao gabarito 'Bem-estar fetal'), sugerem que a dor inicial não estava relacionada a um trabalho de parto ativo ou sofrimento fetal. A interpretação correta da CTG é uma habilidade essencial para o residente, pois guia decisões clínicas importantes sobre o manejo da gestação e do parto.
Uma cardiotocografia reativa apresenta frequência cardíaca fetal basal entre 110-160 bpm, variabilidade moderada (6-25 bpm), e pelo menos duas acelerações transitórias em 20 minutos.
A variabilidade reflete a interação entre os sistemas nervoso simpático e parassimpático e é um indicador crucial da oxigenação e integridade neurológica fetal. Variabilidade moderada é um sinal de bem-estar.
Desacelerações tardias (após o pico da contração), variáveis graves ou prolongadas são preocupantes, pois podem indicar hipóxia fetal e requerem investigação e intervenção.
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