Desaceleração Tardia na Cardiotocografia: Sinais e Manejo

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Durante acompanhamento de trabalho de parto, o traçado cardiotocográfico revelou linha de base do BCF: 160 bpm, variabilidade entre 5-10 bpm, aceleração transitória com amplitude de 15 bpm após estímulo mecânico, seguida de desaceleração. Durante contração uterina, por três ocasiões, observou-se desaceleração com amplitude de 20-25 bpm. Neste caso:

Alternativas

  1. A) O padrão do traçado é tranquilizador, com variabilidade adequada e BCF basal normal.
  2. B) Trata-se de desaceleração precoce, relacionada com a contração uterina e compressão do pólo cefálico.
  3. C) O traçado indica desaceleração tardia, sinal gráfico de sofrimento fetal intra-parto.
  4. D) A presença de desaceleração do BCF é indicativa de sofrimento fetal, independentemente da relação com as contrações uterinas.
  5. E) O traçado indica boa reserva fetal com aceleração do BCF após estímulo mecânico.

Pérola Clínica

Desaceleração tardia (após pico da contração) na cardiotocografia → Indica insuficiência uteroplacentária e sofrimento fetal.

Resumo-Chave

A desaceleração tardia na cardiotocografia é caracterizada por uma queda do BCF que se inicia após o pico da contração uterina e retorna à linha de base após o término da contração. Este padrão é um sinal clássico de insuficiência uteroplacentária e hipóxia fetal, indicando sofrimento fetal intraparto.

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial para o monitoramento do bem-estar fetal durante o trabalho de parto. A interpretação correta dos padrões do batimento cardíaco fetal (BCF) e sua relação com as contrações uterinas é crucial para identificar precocemente sinais de sofrimento fetal. Neste caso, o traçado apresenta uma linha de base de 160 bpm (taquicardia leve, mas dentro do limite superior da normalidade), variabilidade normal (5-10 bpm) e aceleração transitória após estímulo, que são sinais tranquilizadores. No entanto, a presença de desacelerações com amplitude de 20-25 bpm durante as contrações uterinas, especialmente se forem desacelerações tardias, é um achado preocupante. As desacelerações tardias são caracterizadas por um início e retorno gradual, com o nadir da desaceleração ocorrendo após o pico da contração uterina. Fisiologicamente, as desacelerações tardias são um reflexo da insuficiência uteroplacentária, onde o feto não consegue tolerar a redução do fluxo sanguíneo durante as contrações, resultando em hipóxia e acidose. Este padrão é um sinal claro de sofrimento fetal intraparto e exige intervenção imediata, que pode incluir medidas de reanimação intrauterina (mudança de decúbito, oxigenoterapia materna, hidratação) e, se persistente, a interrupção do parto, geralmente por cesariana, para evitar danos neurológicos permanentes ao feto.

Perguntas Frequentes

Como identificar uma desaceleração tardia na cardiotocografia?

A desaceleração tardia é caracterizada por uma queda gradual e simétrica do BCF que se inicia após o pico da contração uterina e retorna à linha de base após o término da contração, com o nadir da desaceleração ocorrendo após o pico da contração.

Qual a causa fisiopatológica da desaceleração tardia?

A desaceleração tardia é causada por insuficiência uteroplacentária, que leva à hipóxia fetal durante as contrações uterinas. A diminuição do fluxo sanguíneo para a placenta durante a contração resulta em hipoxemia fetal e estimulação quimiorreceptora, levando à bradicardia.

Qual a conduta diante de desacelerações tardias persistentes?

Diante de desacelerações tardias persistentes, a conduta deve ser a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, devido ao risco de sofrimento fetal agudo e suas consequências, como acidose e lesão neurológica.

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