Cardiopatias na Gestação: Avaliação de Risco Materno

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Qual das condições abaixo tem MENOR risco para o transcorrer da gestação:

Alternativas

  1. A) Estenose mitral.
  2. B) Hipertensão arterial pulmonar.
  3. C) Marfan com aneurisma de raiz de aorta > 40 mm.
  4. D) Miocardiopatia periparto prévia com disfunção residual de VE.

Pérola Clínica

Estenose mitral leve/moderada = Risco OMS II/III; HAP e disfunção de VE prévia = Risco OMS IV (contraindicação).

Resumo-Chave

A classificação da OMS estratifica o risco materno; condições como HAP e disfunção ventricular residual grave são de altíssimo risco (IV), enquanto a estenose mitral pode ser manejada com menor risco relativo.

Contexto Educacional

A gestação impõe desafios hemodinâmicos significativos, incluindo um aumento de 30-50% no débito cardíaco e volume sanguíneo. Para mulheres com cardiopatias, essa adaptação pode descompensar patologias pré-existentes. A classificação da OMS modificada é a ferramenta padrão-ouro para aconselhamento pré-concepcional, dividindo as pacientes em riscos de I (mínimo) a IV (risco de morte extremamente alto). Enquanto a estenose mitral é a lesão valvar mais comum que complica a gravidez (frequentemente de origem reumática), o manejo clínico rigoroso permite desfechos favoráveis em casos não graves. Já a hipertensão pulmonar e a miocardiopatia periparto com sequelas representam os cenários de maior letalidade, exigindo acompanhamento em centros de referência e, muitas vezes, a interrupção da gestação por risco materno.

Perguntas Frequentes

Quais cardiopatias contraindicam a gestação?

Segundo a classificação da OMS (Risco IV), a gestação é contraindicada em casos de Hipertensão Arterial Pulmonar (de qualquer etiologia), disfunção ventricular grave (FEVE < 30% ou classe funcional NYHA III-IV), miocardiopatia periparto prévia com disfunção residual, estenose mitral grave sintomática e Síndrome de Marfan com aorta > 45mm.

Por que a estenose mitral é preocupante na gravidez?

O aumento do volume plasmático e da frequência cardíaca na gestação reduz o tempo de enchimento diastólico, aumentando a pressão no átrio esquerdo. Isso predispõe ao edema agudo de pulmão e arritmias como fibrilação atrial. Contudo, se for leve ou moderada e a paciente estiver estável, o risco é significativamente menor que em condições de Risco IV.

Qual o risco da Síndrome de Marfan na gestante?

O principal risco é a dissecção ou ruptura da aorta devido às alterações hormonais e hemodinâmicas que fragilizam a parede arterial. O risco é considerado muito alto (OMS IV) quando o diâmetro da raiz da aorta excede 45 mm, ou 40 mm em casos específicos, exigindo aconselhamento contra a gestação ou intervenção prévia.

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