Cardiopatias Congênitas: Fatores de Risco e Diagnóstico Fetal

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

'As anomalias estruturais do coração são as malformações congênitas mais comuns. A incidência de cardiopatias congênitas, se considerado somente o período pós-natal, varia de 3 a 12 por 1.000 nascimentos vivos”. Assim, a propedêutica fetal tem melhorado nessa perspectiva diagnóstica. Sobre o tema, afirma-se:

Alternativas

  1. A) O diabetes mellitus parece aumentar em cerca de três a cinco vezes o risco de cardiopatia fetal. Porém, ainda não caracteriza uma patologia que justifique a ecocardiografia fetal na atualidade.
  2. B) O Bloqueio Atrioventricular (BAV congênito pode ser uma manifestação do lúpus eritematoso neonatal, estando associado à presença no soro materno de anticorpos SSA/Ro, porém a ecocardiografia fetal possui severa limitação no diagnóstico de BAV total.
  3. C) O aumento da translucência nucal correlaciona-se a aumento do risco de malformações cardíacas, sendo importante fator de risco, apenas quando relacionado a cromossomopatias.
  4. D) Apesar de serem reconhecidas as situações em que o risco de malformação cardíaca está aumentado, é importante ressaltar o fato de que, na maioria das crianças portadoras de cardiopatias congênitas, não se identificam fatores de risco materno-fetais durante a vida intrauterina.
  5. E) Os fatores de risco de origem fetal incluem: presença de hidropsia fetal, malformações extra-cardíacas, cromossomopatia, gemelaridade, arritmia, translucência nucal dentro do percentil 10 e 90 da curva de normalidade e duto venoso com onda “A'' positiva detectada no primeiro trimestre da gestação.

Pérola Clínica

Maioria das cardiopatias congênitas não tem fator de risco materno-fetal identificável.

Resumo-Chave

Embora existam fatores de risco conhecidos para cardiopatias congênitas, a maioria dos casos ocorre em gestações de baixo risco, o que ressalta a importância da triagem ultrassonográfica universal e da ecocardiografia fetal em casos selecionados.

Contexto Educacional

As cardiopatias congênitas representam as malformações congênitas mais frequentes, com uma incidência significativa ao nascimento. O diagnóstico precoce, muitas vezes ainda na vida intrauterina através da propedêutica fetal, é crucial para o planejamento do parto e manejo pós-natal, impactando diretamente o prognóstico do recém-nascido. A ecocardiografia fetal é a principal ferramenta para essa avaliação detalhada. Embora existam diversos fatores de risco maternos e fetais bem estabelecidos, como diabetes mellitus gestacional, lúpus materno (com anticorpos SSA/Ro associados a BAV congênito), uso de teratógenos, cromossomopatias e translucência nucal aumentada, é fundamental compreender que a maioria dos casos de cardiopatias congênitas ocorre em gestações sem nenhum fator de risco identificável. Isso reforça a necessidade de uma triagem ultrassonográfica de rotina cuidadosa. A identificação de marcadores de risco, como a translucência nucal aumentada ou alterações no ducto venoso, deve levar à indicação de ecocardiografia fetal especializada. O manejo dessas condições exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo obstetras, cardiologistas pediátricos e neonatologistas, para garantir o melhor desfecho para a mãe e o feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco maternos para cardiopatias congênitas?

Fatores maternos incluem diabetes mellitus pré-gestacional, lúpus eritematoso sistêmico (associado a BAV congênito), fenilcetonúria, uso de teratógenos (álcool, lítio, anticonvulsivantes) e infecções (rubéola).

Quando a ecocardiografia fetal é indicada?

A ecocardiografia fetal é indicada em casos de fatores de risco maternos ou fetais, como translucência nucal aumentada, malformações extracardíacas, arritmias fetais, hidropsia fetal, ou história familiar de cardiopatia congênita.

Qual a importância da translucência nucal no rastreamento de cardiopatias?

O aumento da translucência nucal (TN) no primeiro trimestre é um marcador de risco para cromossomopatias e malformações cardíacas, mesmo na ausência de aneuploidias, indicando a necessidade de investigação mais aprofundada.

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