Cardiopatia Reumática: Diagnóstico e Profilaxia Secundária

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 31 anos de idade, procura atendimento ambulatorial com queixa de dispneia aos subir escadas e ladeiras, além de tosse seca, há 6 meses, progredindo para dispneia aos pequenos esforços, há 2 semanas. Refere vários episódios de amigdalite na infância e adolescência. Ao exame físico, apresentase com FC: 102bpm, PA: 100X60mmHg. Ausculta com murmúrios vesiculares reduzidos e estertores crepitantes em bases. Ictus cordis em 6º espaço intercostal esquerdo, na linha axilar anterior, com frêmito palpável. Ritmo cardiaco regular, bulhas normofonéticas, em 2 tempos, com sopro holossistólico plurifocal, mais audível em foco mitral, e sopro protodiastólico em foco aórtico. Diante desse caso, indique a melhor conduta terapêutica, a longo prazo, considerando o diagnóstico etiológico mais provável.

Alternativas

Pérola Clínica

Histórico de amigdalite + sopros mitral e aórtico + dispneia progressiva → Cardiopatia Reumática. Conduta a longo prazo: Profilaxia secundária com Penicilina Benzatina.

Resumo-Chave

O histórico de amigdalites de repetição na infância/adolescência, associado a sopros cardíacos (holossistólico mitral e protodiastólico aórtico) e sinais de insuficiência cardíaca, é altamente sugestivo de Cardiopatia Reumática. A conduta terapêutica a longo prazo mais importante é a profilaxia secundária da febre reumática para prevenir a progressão da doença valvar.

Contexto Educacional

A Cardiopatia Reumática é uma doença crônica que resulta de uma ou mais crises de Febre Reumática aguda, uma complicação tardia de infecções de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma das principais causas de doença cardíaca adquirida em crianças e adultos jovens em países em desenvolvimento. A importância clínica reside no dano valvar progressivo, que pode levar à insuficiência cardíaca, arritmias e necessidade de intervenções cirúrgicas. O diagnóstico é baseado no histórico de febre reumática (muitas vezes subclínica ou não diagnosticada), evidência de infecção estreptocócica prévia (amigdalites de repetição) e achados ecocardiográficos de valvopatia. Os sopros cardíacos descritos (holossistólico mitral e protodiastólico aórtico) são consistentes com insuficiência mitral e insuficiência aórtica, respectivamente, lesões comuns na cardiopatia reumática. A dispneia progressiva indica disfunção cardíaca. A conduta terapêutica a longo prazo é multifacetada, mas a pedra angular é a profilaxia secundária da febre reumática com Penicilina Benzatina intramuscular a cada 21 dias. Esta medida visa prevenir novas infecções estreptocócicas e, consequentemente, novas crises de febre reumática que poderiam agravar o dano valvar. Além disso, o manejo da insuficiência cardíaca com diuréticos, IECA/BRA e betabloqueadores é fundamental, e a cirurgia valvar pode ser necessária em casos de doença valvar avançada. Residentes devem estar cientes da importância da profilaxia.

Perguntas Frequentes

Qual a etiologia mais provável para o quadro clínico descrito?

A etiologia mais provável é a Cardiopatia Reumática, sequela da Febre Reumática aguda, devido ao histórico de amigdalites de repetição (infecções por Streptococcus pyogenes) e à presença de valvopatias mitral e aórtica.

Qual a conduta terapêutica a longo prazo mais importante para a cardiopatia reumática?

A conduta terapêutica a longo prazo mais importante é a profilaxia secundária da febre reumática com Penicilina Benzatina intramuscular a cada 21 dias, para prevenir novas infecções estreptocócicas e a progressão do dano valvar.

Quais são as principais valvopatias encontradas na cardiopatia reumática?

As valvopatias mais frequentemente encontradas na cardiopatia reumática são a insuficiência mitral e a estenose mitral. A válvula aórtica também pode ser afetada, geralmente com insuficiência aórtica, e menos comumente a estenose aórtica.

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