HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025
Sandra 31 ande de idade procura, atendimento obstétrico por contrações dolorosas a cada 3 minutos, associada a peso em região púbica. A idade gestacional é de 32 semanas. É tercigesta, com dois partos vaginais prévios (último há 2 anos, sem intercorrências). Está em uso de sertralina 100mg/dia. Refere que está aguardando avaliação de pré-natal de alto risco por queixa de cansaço físico que vem sendo progressivamente mais importante desde o quinto mês gestacional. Desde o momento em que iniciaram as contrações, sente opressão torácica, dificuldade para respirar e sensação de desmaio. No exame clínico, apresenta-se em bom estado geral, PA 94x50 mmHg, FC 126 bpm, FR 22 ipm. Ausculta com sopro sistólico aórtico 3+/6, efetivo, murmúrios vesiculares presentes com crepitação fina em base direita. Abdome gravídico, altura uterina 30 cm, BCF presente e rítmico. Sem edemas de MMII, sem sinais de TVP. Toque vaginal: colo fino, dilatação de 6 cm, apresentação cefálica e bolsa íntegra. A medida obstétrica adequada é:
Gestante cardiopata descompensada em trabalho de parto prematuro → Prioridade é estabilizar a mãe, o que exige tocolise para interromper o estresse do parto.
Em uma gestante com instabilidade hemodinâmica por cardiopatia, o estresse fisiológico do trabalho de parto pode ser fatal. A conduta imediata é a inibição das contrações com um tocolítico hemodinamicamente seguro, como o atosibano, para permitir a estabilização clínica materna.
A gravidez impõe uma sobrecarga fisiológica significativa ao sistema cardiovascular, incluindo aumento do volume sanguíneo, débito cardíaco e frequência cardíaca. Em mulheres com cardiopatias preexistentes, mesmo que assintomáticas fora da gestação, essa sobrecarga pode levar à descompensação clínica, especialmente durante o trabalho de parto, que representa um estresse hemodinâmico agudo. O quadro clínico apresentado, com taquicardia, hipotensão, dispneia e achados de congestão pulmonar em uma gestante de 32 semanas em trabalho de parto ativo, caracteriza uma emergência médica. A prioridade absoluta é a estabilização materna. Continuar o trabalho de parto aumentaria a demanda cardíaca, podendo levar a edema agudo de pulmão, choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória. Portanto, a inibição das contrações uterinas (tocolise) é a medida mais urgente para 'ganhar tempo' e permitir a investigação da causa da descompensação e o início do tratamento de suporte cardíaco. A escolha do tocolítico é crítica. Fármacos como os beta-agonistas (terbutalina) são contraindicados, pois seus efeitos colaterais (taquicardia, vasodilatação) agravariam a instabilidade. O atosibano, um antagonista do receptor de ocitocina, é a escolha ideal por seu perfil hemodinâmico neutro. Somente após a estabilização materna, outras medidas, como a corticoterapia para maturação pulmonar fetal e o planejamento da via de parto, podem ser consideradas.
Sinais de alerta incluem taquicardia persistente (>120 bpm), hipotensão (PAS < 100 mmHg), taquipneia (>20 ipm), dispneia, ortopneia, crepitações pulmonares, turgência jugular patológica e dessaturação de oxigênio. O estresse do parto agrava a sobrecarga cardíaca.
O atosibano é um antagonista do receptor de ocitocina com um perfil de segurança cardiovascular excelente, pois não causa taquicardia, hipotensão ou alterações metabólicas significativas. Tocolíticos como beta-agonistas (terbutalina) seriam deletérios, pois causariam taquicardia e vasodilatação, piorando a instabilidade hemodinâmica.
A corticoterapia é crucial para o feto prematuro, mas a prioridade é a estabilização materna. Ela deve ser iniciada assim que a mãe estiver clinicamente estável. Administrar qualquer medicação ou focar em medidas fetais antes de garantir a via aérea, respiração e circulação da mãe é um erro de conduta.
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