HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Alessandra 31 anos de idade procura atendimento obstétrico por contrações dolorosas a cada 3 minutos, associada a peso em região púbica. A idade gestacional é de 32 semanas. E tercigesta, com dois partos vaginais prévios (último há 2 anos, sem intercorrências). Está em uso de sertralina 100mg/dia. Refere que está aguardando avaliação de pré-natal de alto risco por queixa de cansaço físico que vem sendo progressivamente mais importante desde o quinto mês gestacional. Desde o momento em que iniciaram as contrações, sente opressão torácica, dificuldade para respirar e sensação de desmaio. No exame clínico, apresenta-se em bom estado geral, PA 94x50 mmHg, FC 126bpm, FR 22 ipm. Ausculta com sopro sistólico aórtico 3+/6+, ejetivo, murmúrios vesiculares presentes com crepitação fina em base direita. Abdome gravídico, altura uterina 30 cm, BCF presente e rítmico. Sem edemas de MMII, sem sinais de TVP. Toque vaginal: colo fino, dilatação de 6 cm, apresentação cefálica e bolsa íntegra. A medida obstétrica adequada é:
Gestante com cardiopatia grave e trabalho de parto avançado → priorizar analgesia precoce e parto vaginal assistido para reduzir estresse cardiovascular.
A paciente apresenta sinais de cardiopatia grave (sopro aórtico 3+/6+, sintomas de insuficiência cardíaca, taquicardia, hipotensão) e trabalho de parto prematuro avançado (6 cm de dilatação). A inibição do parto é contraindicada em dilatação avançada e pode ser prejudicial em cardiopatias. A prioridade é reduzir o estresse cardiovascular materno, e a analgesia precoce é fundamental para isso, facilitando o parto vaginal, que é a via preferencial na maioria das cardiopatias.
A gestação impõe uma sobrecarga fisiológica significativa ao sistema cardiovascular, com aumento do volume sanguíneo, débito cardíaco e frequência cardíaca. Em pacientes com cardiopatia pré-existente, essa sobrecarga pode levar à descompensação cardíaca, tornando a gestação de alto risco. A estenose aórtica grave, por exemplo, é particularmente perigosa devido à incapacidade do coração de aumentar o débito cardíaco através de um orifício fixo, levando a sintomas de baixo débito e congestão pulmonar. No caso apresentado, a paciente com 32 semanas de gestação e dilatação de 6 cm está em trabalho de parto prematuro avançado e apresenta sinais de descompensação cardíaca. A conduta deve ser focada na estabilização materna e no manejo do parto para minimizar o estresse cardiovascular. A inibição do trabalho de parto é contraindicada em dilatação avançada e pode ser prejudicial em cardiopatias, pois prolonga a gestação em um contexto de descompensação. A maturação pulmonar fetal, embora importante para o prematuro, não é a medida mais urgente diante do quadro materno. A assistência ao parto com analgesia imediata (geralmente peridural) é a medida mais adequada. A analgesia eficaz reduz a dor e a ansiedade, diminuindo a resposta adrenérgica e, consequentemente, a sobrecarga cardíaca. O parto vaginal é geralmente preferível em cardiopatas, pois evita os riscos cirúrgicos da cesariana. O objetivo é um parto rápido e assistido, com monitorização hemodinâmica rigorosa, para proteger a mãe e o feto.
Sinais de alerta incluem dispneia progressiva, dor torácica, síncope, taquicardia persistente, hipotensão, sopros cardíacos intensos e crepitações pulmonares, indicando descompensação cardíaca.
Para a maioria das cardiopatias, o parto vaginal é preferencial, pois evita os riscos da cirurgia e as flutuações hemodinâmicas do pós-operatório. A cesariana é reservada para indicações obstétricas ou cardiopatias específicas que contraindicam o esforço do parto vaginal.
A analgesia precoce, especialmente a peridural, reduz a dor e a ansiedade, diminuindo a liberação de catecolaminas. Isso minimiza o aumento da frequência cardíaca, pressão arterial e débito cardíaco, protegendo o coração materno do estresse do trabalho de parto.
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