FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
MIS, 20 anos, Gesta I, Para 0. Fez pré-natal regularmente no alto risco. Foi admitida na Maternidade queixando-se de dor em baixo ventre e perda de tampão mucoso. Sua idade gestacional era de 37 semanas e 2 dias. Referia febre reumática na infância e fora submetida à comissurotomia mitral aos 17 anos. Realizou recentemente ecocardiograma que demonstrou prolapso discreto da válvula mitral, cavidades normais e função ventricular preservada. No segundo trimestre passou a apresentar dispnéia ocasional, sem relação com o esforço e edema MMII+/4. Na admissão: lúcida, corada, eupnéica, FC = 84 bpm, PA: 100/60 mmHg; AC: sopro sistólico no foco mitral +/4++. Pulmões limpos. FU = 34 cm. BCF: 140 bpm sem desaceleração. Atividade uterina=160 UA. Toque: colo apagado 90%, dilatado para 7cm. Apresentação cefálica no plano + 2DeLee. Bolsa íntegra. A família esboçou o desejo pelo parto cesariana. O plantonista:
Prolapso de válvula mitral isolado, sem disfunção ventricular ou arritmias graves, não contraindica parto vaginal.
Em gestantes com cardiopatias leves ou compensadas, como prolapso de válvula mitral sem repercussão hemodinâmica significativa, o parto vaginal é geralmente preferível, pois a cesariana pode aumentar os riscos cardiovasculares.
A gestação em pacientes cardiopatas é considerada de alto risco, exigindo acompanhamento especializado e individualizado. A febre reumática e suas sequelas, como o prolapso de válvula mitral, são condições comuns que demandam atenção durante o pré-natal e o planejamento do parto. A avaliação da via de parto em gestantes cardiopatas é individualizada, baseada na classificação funcional da paciente (NYHA), tipo de lesão e presença de complicações. O parto vaginal é geralmente preferível para pacientes com cardiopatias leves a moderadas e compensadas, como o prolapso de válvula mitral sem disfunção significativa, devido ao menor estresse hemodinâmico comparado à cesariana. A paciente do caso, com prolapso discreto e função ventricular preservada, está apta ao parto vaginal. A cesariana é reservada para indicações obstétricas ou para cardiopatias graves que não toleram o esforço do trabalho de parto. A profilaxia para endocardite infecciosa deve ser considerada em casos específicos, conforme as diretrizes atuais, embora o prolapso de válvula mitral isolado sem regurgitação significativa geralmente não exija profilaxia de rotina.
O prolapso de válvula mitral raramente contraindica o parto vaginal, a menos que esteja associado a disfunção ventricular significativa, arritmias graves ou insuficiência mitral importante com repercussão hemodinâmica.
Para gestantes com cardiopatias compensadas, como prolapso de válvula mitral sem complicações, a via de parto vaginal é geralmente a preferencial, pois a cesariana pode acarretar maiores riscos anestésicos e hemodinâmicos.
A cesariana em gestantes cardiopatas pode aumentar o risco de hemorragia, infecção, tromboembolismo e descompensação hemodinâmica devido às alterações bruscas de volume e pressão associadas ao procedimento e à anestesia.
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