HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Em uma maternidade, ocorre o nascimento de um recém-nascido (RN) com idade gestacional de 39 semanas e 3 dias, nascido de parto vaginal, apresentando Apgar 7 e 9 no primeiro e quinto minutos, respectivamente. Ao exame físico inicial, verificou-se a presença de sindactilia na mão direita, sem outras alterações. A mãe tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica e diabetes gestacional controlado após uso de insulina, apresentando VDRL reagente 1:32 no exame do dia do nascimento do RN, sem registro de tratamento para sífilis durante a gestação. Nega outras intercorrências durante a gestação. Foi realizada a hora de ouro com contato pele a pele e tentativa de amamentação. Após transferência ao alojamento conjunto, com cerca de 2 horas após o nascimento, a equipe médica foi acionada, pois o RN apresentou taquidispneia com frequência respiratória de 76irpm, associada a pele fria, pulsos finos, taquicardia e palidez. O RN é levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde são realizadas as medidas iniciais de suporte e estabilização. A ausculta cardíaca, percebe-se hiperfonese de B2 em foco pulmonar, com sopro sistólico 2+/6+. A radiografia de tórax apresenta discreta cardiomegalia com aumento importante de trama vascular pulmonar. O pai acompanha a equipe até a UTI, questionando qual é o provável quadro do RN. Diante do exposto, qual é a hipótese que deve ser fornecida ao pai?
RN a termo com colapso circulatório súbito nas primeiras 24-72h de vida → pensar em cardiopatia congênita canal-dependente sistêmica.
Cardiopatias com obstrução ao fluxo sistêmico, como a estenose aórtica crítica, dependem do canal arterial para perfundir o corpo. Seu fechamento fisiológico causa choque cardiogênico súbito, com sinais de baixo débito sistêmico e congestão pulmonar.
As cardiopatias congênitas críticas canal-dependentes são um grupo de malformações cardíacas graves que necessitam da patência do canal arterial para manter a circulação pulmonar ou sistêmica adequada após o nascimento. Representam uma das principais emergências em neonatologia, e seu diagnóstico precoce é vital para a sobrevida do recém-nascido. Fisiopatologicamente, dividem-se em dois grandes grupos: as de fluxo pulmonar dependente (ex: atresia pulmonar), que cursam com cianose grave, e as de fluxo sistêmico dependente (ex: estenose aórtica crítica, coarctação de aorta crítica, síndrome de hipoplasia do coração esquerdo), que se manifestam com choque cardiogênico. Nestas últimas, o ventrículo esquerdo não consegue ejetar sangue adequadamente para a aorta, e a perfusão do corpo depende do fluxo da artéria pulmonar para a aorta através do canal arterial. Quando o canal começa a se fechar fisiologicamente, ocorre hipoperfusão sistêmica súbita, acidose lática e colapso cardiovascular. O manejo inicial é uma emergência médica e consiste na estabilização clínica e na administração imediata de Prostaglandina E1 (PGE1) para manter o canal arterial aberto. Essa medida restaura a perfusão sistêmica e estabiliza o paciente até que a correção cirúrgica ou por cateterismo possa ser realizada. O reconhecimento rápido do quadro, diferenciando-o de outras causas de choque neonatal como a sepse, é uma habilidade crucial para todo médico que atua em sala de parto e unidades neonatais.
Os sinais incluem o início súbito de taquidispneia, palidez, extremidades frias, pulsos finos ou ausentes e acidose metabólica em um recém-nascido previamente bem, geralmente após as primeiras horas ou dias de vida, coincidindo com o fechamento do canal arterial.
A medida mais crucial é iniciar a infusão contínua de Prostaglandina E1 (PGE1) para reabrir ou manter o canal arterial pérvio, garantindo a perfusão sistêmica ou pulmonar. Medidas de suporte para choque, como suporte ventilatório e inotrópicos, também são fundamentais.
Embora clinicamente semelhantes, a cardiopatia geralmente apresenta uma desproporção entre os pulsos dos membros superiores e inferiores (em casos de coarctação) e uma resposta rápida à Prostaglandina E1. A radiografia de tórax pode mostrar cardiomegalia e congestão pulmonar, enquanto na sepse os marcadores inflamatórios são mais proeminentes.
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