HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019
Um recém-nascido com 38 semanas de idade gestacional e peso de nascimento de 3.020 g foi levado ao hospital. Com 28 horas de vida, iniciou quadro de cianose central. Ao exame, apresentou-se ativo e reativo, cianótico e anictérico. A avaliação clínica mostrou murmúrio vesicular presente bilateralmente, frequência respiratória de 58 ipm, sat. de O2 aferida em membro superior esquerdo de 50%, bulhas rítmicas norrmofonéticas em dois tempos, com sopro sistólico em borda esternal esquerda média-alta, e frequência cardíaca de 170 bpm. Foi realizada glicemia capilar de 60 mg/dl. O paciente foi rapidamente levado à UTI neonatal. Foram iniciados monitoramento de oximetria de pulso, monitorização cardíaca e monitoramento com espectroscopia de infravermelho próxima (NIRS), com sensores em sítio cerebral e renal. Foi realizado também cateterismo umbilical e intubação orotraqueal, porém sem melhora do quadro clínico. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica compatível com esse quadro clínico.
Cianose neonatal refratária à O2 + sopro → Pensar em cardiopatia ducto-dependente (ex: Atresia Pulmonar).
RN com cianose central precoce e hipoxemia grave que não responde à oxigenoterapia sugere cardiopatia congênita com fluxo pulmonar dependente do canal arterial.
As cardiopatias congênitas cianóticas com hipofluxo pulmonar, como a atresia pulmonar com septo íntegro e hipoplasia de ventrículo direito, manifestam-se precocemente após o nascimento. A fisiopatologia envolve a impossibilidade de sangue venoso atingir a artéria pulmonar pelo ventrículo direito, forçando um shunt direita-esquerda no átrio e dependência do canal arterial para oxigenação. O diagnóstico clínico é sugerido por cianose central refratária e sopro sistólico. O manejo inicial foca na manutenção do canal arterial com prostaglandinas até a intervenção cirúrgica ou percutânea definitiva.
São malformações cardíacas onde a sobrevivência do recém-nascido depende da patência do canal arterial para manter o fluxo sanguíneo sistêmico ou pulmonar. No caso da atresia pulmonar, o fluxo para os pulmões depende do canal; seu fechamento fisiológico após o nascimento leva à hipoxemia grave e cianose.
A cianose de origem cardíaca geralmente é central e não apresenta melhora significativa com a administração de oxigênio a 100% (teste de hiperóxia negativo). Já a cianose respiratória costuma vir acompanhada de desconforto respiratório importante e melhora com suporte ventilatório e oxigênio.
A prioridade é manter a patência do canal arterial através da infusão contínua de Prostaglandina E1 (Alprostadil). Além disso, deve-se realizar monitorização rigorosa, estabilização hemodinâmica e solicitar ecocardiograma de urgência para confirmação diagnóstica e planejamento cirúrgico.
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