SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um recém-nascido de três dias apresentou episódios de cianose mais intensa durante o choro e dificuldade para mamar. O exame físico mostrou sopro sistólico em borda esternal esquerda média, saturação periférica = 82% em ar ambiente, FR = 48 irpm e FC = 142 bpm. A radiografia de tórax mostrou área cardíaca normal e trama vascular pulmonar discretamente reduzida. A hipótese de cardiopatia congênita com obstrução ao fluxo pulmonar foi aventada. Nesse caso, qual conduta imediata é a mais adequada para estabilização do paciente?
Cianose neonatal + trama pulmonar ↓ → Manter canal arterial com Prostaglandina E1 (Alprostadil).
Em cardiopatias cianóticas com fluxo pulmonar dependente do canal arterial, a infusão de PGE1 é vital para garantir a oxigenação até a intervenção cirúrgica.
O manejo inicial do neonato cianótico exige a distinção rápida entre causas respiratórias e cardíacas. Nas cardiopatias canal-dependentes de fluxo pulmonar, o fechamento fisiológico do canal arterial nos primeiros dias de vida leva a uma hipoxemia grave e progressiva. A Prostaglandina E1 é a terapia farmacológica de escolha para manter a comunicação sistêmico-pulmonar aberta. A dose inicial recomendada costuma variar de 0,05 a 0,1 mcg/kg/min em infusão venosa contínua. É fundamental que o médico assistente monitore rigorosamente o padrão respiratório e a estabilidade hemodinâmica, garantindo acesso a suporte avançado de vida, uma vez que a patência do canal é apenas uma medida de estabilização temporária até o tratamento paliativo ou definitivo.
A Prostaglandina E1 (Alprostadil) é um potente vasodilatador que atua na musculatura lisa do canal arterial, mantendo sua patência. Em cardiopatias com obstrução grave ao fluxo pulmonar, como atresia pulmonar ou Tetralogia de Fallot grave, o fluxo sanguíneo para os pulmões depende quase exclusivamente do canal arterial para realizar a hematose.
O efeito colateral mais crítico é a apneia, ocorrendo em cerca de 10-12% dos neonatos, o que exige frequentemente suporte ventilatório ou prontidão imediata para intubação orotraqueal. Outros efeitos comuns incluem febre, hipotensão arterial, vasodilatação cutânea e convulsões.
Clinicamente, observa-se cianose central que não melhora significativamente com oxigênio (teste da hiperóxia negativo). Radiologicamente, os campos pleuropulmonares apresentam-se hipotransparentes, caracterizando a oligoemia pulmonar decorrente da obstrução ao fluxo de saída do ventrículo direito.
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