PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2020
Paciente, 60 anos, masculino, missionário, católico, natural de Padre Paraíso-MG, e procedente de Uberlândia, onde mora há 50 anos. Comparece a consulta de rotina em Unidade Básica de Saúde da Família com queixa de edema de membros inferiores vespertino, ortopneia e dispneia aos moderados esforços, que o limitam de realizar seu trabalho. Queixa de tosse e relata diagnóstico de pneumonia e ""água no pulmão"". Relata ainda que durante as caminhadas tem apresentado palpitações taquicárdicas associadas a turvação visual. Quanto à anamnese, exame físico e diagnóstico desse paciente é CORRETO afirmar que:
Cardiopatia chagásica → Bloqueio de ramo direito + hemibloqueio anterior esquerdo (comum, mesmo assintomático).
A cardiopatia chagásica crônica é uma complicação tardia da Doença de Chagas, comum em áreas endêmicas. Mesmo após décadas fora da zona de transmissão, a infecção persiste e pode levar a alterações cardíacas progressivas. O bloqueio de ramo direito (BRD) associado a hemibloqueio anterior esquerdo (HBAE) é a alteração eletrocardiográfica mais frequente e característica, podendo ser um achado precoce.
A Doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é uma doença endêmica em diversas regiões da América Latina, incluindo o Brasil. A fase crônica da doença pode levar a complicações graves, sendo a cardiopatia chagásica crônica a mais prevalente e letal. Ela se manifesta décadas após a infecção inicial, mesmo em indivíduos que se mudaram de áreas endêmicas. A fisiopatologia da cardiopatia chagásica envolve inflamação crônica, fibrose miocárdica e disfunção microvascular, levando a cardiomegalia, arritmias complexas (incluindo bloqueios atrioventriculares e ventriculares), aneurismas apicais e insuficiência cardíaca progressiva. O diagnóstico é feito por sorologia (ELISA, IFI, Western Blot) e confirmado por exames complementares como ECG, ecocardiograma e Holter. O tratamento da cardiopatia chagásica é complexo e visa controlar os sintomas da insuficiência cardíaca, prevenir arritmias e tromboembolismo. O benznidazol e o nifurtimox são os fármacos antiparasitários, mas sua eficácia na fase crônica estabelecida é limitada. O manejo da insuficiência cardíaca segue as diretrizes gerais, com IECA/BRA, betabloqueadores e diuréticos. Dispositivos como marca-passos e cardiodesfibriladores implantáveis são indicados para arritmias graves.
As principais manifestações incluem cardiomegalia, arritmias complexas (como bloqueios atrioventriculares e ventriculares, incluindo BRD e HBAE), aneurismas apicais e insuficiência cardíaca progressiva.
Deve-se investigar em pacientes com história de residência ou passagem por áreas endêmicas, mesmo que há décadas, ou com achados eletrocardiográficos sugestivos como BRD e HBAE, ou miocardiopatia dilatada sem causa aparente.
A associação de bloqueio de ramo direito e hemibloqueio anterior esquerdo é o achado eletrocardiográfico mais frequente e característico da cardiopatia chagásica crônica, sendo um marcador de progressão da doença e podendo estar presente mesmo em pacientes assintomáticos.
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