Cardiomiopatia de Takotsubo: Diagnóstico e Manejo Clínico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 59 anos, com histórico de hipertensão arterial, apresenta quadro de desconforto torácico subesternal e dispneia há 2 horas, após receber a notícia de falecimento de um familiar. Ao exame físico: pressão arterial: 157 x 87 mmHg; frequência cardíaca: 93 bpm; oximetria de pulso normal; cardiopulmonar normal; extremidades sem edema. ECG: ritmo sinusal com inversão de onda T em parede anterior. A troponina T aumenta e chega a 1,23 ng/mL (normal: < 0,01). A angiografia coronariana percutânea é realizada: não há estenoses coronárias; ventriculografia esquerda demonstra grande região de acinesia apical e contração preservada na base. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta

Alternativas

  1. A) A condição é mais frequente em mulheres na pós- -menopausa.
  2. B) A mortalidade hospitalar média é de aproximadamente 15%.
  3. C) O ecocardiograma deverá mostrar acinesia apical após 6 meses.
  4. D) Um trombo coronário recanalizado é a etiologia mais provável.

Pérola Clínica

Takotsubo: disfunção ventricular apical transitória pós-estresse emocional, coronárias normais, mais comum em mulheres pós-menopausa.

Resumo-Chave

A cardiomiopatia de Takotsubo é uma condição aguda de disfunção miocárdica ventricular esquerda, tipicamente desencadeada por estresse emocional ou físico intenso. Caracteriza-se por acinesia apical e hipercontratilidade basal, mimetizando um infarto agudo do miocárdio, mas com coronárias angiograficamente normais.

Contexto Educacional

A cardiomiopatia de Takotsubo, também conhecida como síndrome do coração partido, é uma condição aguda e reversível de disfunção miocárdica, tipicamente desencadeada por estresse emocional ou físico intenso. É mais comum em mulheres na pós-menopausa e mimetiza um infarto agudo do miocárdio, sendo crucial para o residente reconhecer suas particularidades para um diagnóstico correto. Sua fisiopatologia está ligada a uma liberação excessiva de catecolaminas, que causam disfunção microvascular e toxicidade miocárdica. O diagnóstico é feito pela apresentação clínica (dor torácica, dispneia), alterações no ECG (elevação ST, inversão de onda T), elevação de biomarcadores cardíacos e, crucialmente, pela angiografia coronariana normal e ventriculografia esquerda demonstrando acinesia apical com contração preservada na base (formato de 'vaso de polvo'). O tratamento é de suporte, similar ao de uma síndrome coronariana aguda, mas sem a necessidade de revascularização. A função ventricular geralmente se recupera em semanas a meses, mas complicações agudas como choque cardiogênico, arritmias e trombo intraventricular podem ocorrer. O prognóstico a longo prazo é geralmente bom, mas há risco de recorrência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cardiomiopatia de Takotsubo?

Os critérios incluem disfunção ventricular transitória (acinesia/discinesia apical ou de múltiplos segmentos), ausência de doença coronariana obstrutiva, alterações eletrocardiográficas (elevação ST, inversão T) e elevação de troponinas, e um gatilho de estresse emocional/físico.

Qual a fisiopatologia da cardiomiomiopatia de Takotsubo?

Acredita-se que a fisiopatologia envolva uma liberação excessiva de catecolaminas em resposta ao estresse, levando a uma disfunção microvascular coronariana e toxicidade miocárdica direta, especialmente na região apical do ventrículo esquerdo.

Qual o prognóstico da cardiomiopatia de Takotsubo?

Embora a recuperação da função ventricular seja comum em semanas a meses, a mortalidade hospitalar pode ser similar à do IAM, e complicações como choque cardiogênico, arritmias e ruptura ventricular podem ocorrer.

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