FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Mulher de 35 anos, sem histórico de doença cardiovascular, apresenta edema agudo de pulmão 18 horas após o parto de uma gravidez gemelar. A pressão arterial era de 100 x 60 mmHg, a frequência cardíaca de 110bpm, regular. Na ausculta cardíaca, ritmo de galope, com terceira bulha presente, sopro protossistólico suave em área mitral e tricúspide. Ao eletrocardiograma, ritmo de taquicardia sinusal; ao ecocardiograma, valvas normais e fração de ejeção de ventrículo esquerdo de 35%. Qual o diagnóstico mais provável?
Mulher jovem, pós-parto, sem histórico CV, IC com FEVE ↓ e valvas normais → Cardiomiopatia periparto.
A cardiomiopatia periparto é uma forma rara de insuficiência cardíaca que se desenvolve no final da gravidez ou nos primeiros meses pós-parto, caracterizada por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo sem causa aparente. Fatores de risco incluem gravidez gemelar e idade avançada, e o diagnóstico é de exclusão, com ecocardiograma mostrando FEVE reduzida.
A cardiomiopatia periparto (CMPP) é uma forma rara e potencialmente grave de insuficiência cardíaca que se manifesta no final da gravidez ou nos primeiros cinco meses pós-parto, em mulheres sem doença cardíaca pré-existente. Caracteriza-se por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, com fração de ejeção (FEVE) geralmente abaixo de 45%. A incidência varia globalmente, sendo mais comum em algumas populações. A fisiopatologia da CMPP é multifatorial e ainda não totalmente compreendida, envolvendo fatores como estresse oxidativo, inflamação, disfunção endotelial, resposta autoimune e alterações hormonais (prolactina). O diagnóstico é de exclusão, baseado na apresentação clínica de insuficiência cardíaca (dispneia, edema, fadiga), no período periparto, e confirmado por ecocardiograma que revela FEVE reduzida e ausência de outras causas cardíacas. O tratamento da CMPP segue as diretrizes para insuficiência cardíaca com FEVE reduzida, incluindo diuréticos, inibidores da ECA/BRA (com cautela no pós-parto imediato se amamentando), betabloqueadores e, em casos selecionados, antagonistas da aldosterona. A bromocriptina tem sido estudada como terapia adjuvante para inibir a prolactina. O prognóstico é variável, com recuperação completa da função ventricular em cerca de metade das pacientes, mas com risco de recorrência em gestações futuras.
Os critérios incluem desenvolvimento de insuficiência cardíaca no último mês de gestação ou até 5 meses pós-parto, ausência de outra causa identificável para a insuficiência cardíaca e disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (FEVE < 45%).
Fatores de risco incluem idade materna avançada (>30 anos), multiparidade, gravidez gemelar, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, desnutrição e etnia afro-americana.
O tratamento é semelhante ao da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, incluindo diuréticos, inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores e, em casos graves, suporte hemodinâmico. A bromocriptina pode ser considerada em alguns casos.
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