Cardiomiopatia Isquêmica: Avaliação de Viabilidade Miocárdica

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 56 anos de idade, com histórico de diabetes e hipertensão, vem se queixando de dispneia ao esforço. Ele nega desconforto no peito. Ao exame físico, apresenta turgência jugular sentado, um ritmo cardíaco regular com um galope apical de B4, estertores crepitantes bibasais e edema de tornozelos bilateralmente. O ECG revela ritmo sinusal com FC de 80 bpm, sem outras alterações. A ecocardiografia demonstra FE do ventrículo esquerdo de 25% e acinesia da parede anterior. O cateterismo demonstra doença arterial coronariana de três vasos com leitos distais adequados para cirurgia de revascularização miocárdica. Sobre a cardiomiopatia isquêmica desse paciente, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A cirurgia de revascularização do miocárdio é superior à terapia clínica somente se houver presença de angina.
  2. B) A cirurgia de revascularização do miocárdio melhora a qualidade de vida e sobrevida mais do que a terapia clínica apenas se > 50% do miocárdio demonstrar-se viável.
  3. C) O miocárdio atordoado refere-se à disfunção contrátil persistente, causada por fluxo sanguíneo coronariano cronicamente reduzido.
  4. D) Reconstrução ventricular cirúrgica com aneurismectomia deve ser realizada juntamente com a revascularização cirúrgica, pois a parede anterior é a acinética.
  5. E) O ecocardiograma ou a cintilografia com dobutamina poderiam diferenciar infarto de parede anterior de hibernação do miocárdio.

Pérola Clínica

Avaliação de viabilidade miocárdica (ecostresse, cintilografia) diferencia miocárdio hibernante (recuperável) de infartado (necrótico).

Resumo-Chave

A diferenciação entre miocárdio hibernante e infartado é crucial em pacientes com cardiomiopatia isquêmica e disfunção ventricular. O miocárdio hibernante, apesar de disfuncional, pode recuperar a contratilidade após a revascularização, melhorando o prognóstico. Testes de viabilidade são essenciais para guiar a decisão terapêutica.

Contexto Educacional

A cardiomiopatia isquêmica é uma condição grave caracterizada por disfunção ventricular esquerda secundária à doença arterial coronariana (DAC), resultando em insuficiência cardíaca. Pacientes com diabetes e hipertensão têm maior risco de desenvolver DAC e suas complicações. A dispneia ao esforço, turgência jugular, galope de B4 e estertores crepitantes são sinais clássicos de insuficiência cardíaca congestiva. A ecocardiografia com FE reduzida e acinesia regional confirma a disfunção miocárdica. A presença de doença arterial coronariana multiarterial com leitos distais adequados para revascularização levanta a questão da viabilidade miocárdica. O miocárdio hibernante refere-se a um estado de disfunção contrátil crônica e reversível em resposta à isquemia persistente, onde o tecido ainda está vivo, mas com metabolismo e função reduzidos para sobreviver. Diferenciá-lo do miocárdio infartado (necrótico e irreversível) é fundamental, pois apenas o tecido viável se beneficiará da revascularização. Testes de viabilidade miocárdica, como o ecocardiograma com dobutamina (que avalia a reserva contrátil) ou a cintilografia miocárdica (que avalia a perfusão e o metabolismo), são ferramentas diagnósticas essenciais. A identificação de miocárdio viável pode indicar um benefício significativo da cirurgia de revascularização miocárdica em termos de melhora da função ventricular, sintomas e sobrevida, mesmo em pacientes sem angina.

Perguntas Frequentes

O que é miocárdio hibernante e por que é importante identificá-lo?

Miocárdio hibernante é um tecido miocárdico cronicamente isquêmico e disfuncional, mas ainda viável. Sua identificação é crucial porque a revascularização pode restaurar a função contrátil, melhorando sintomas e prognóstico.

Quais são os principais métodos para avaliar a viabilidade miocárdica?

Os principais métodos incluem ecocardiograma com estresse farmacológico (dobutamina), cintilografia miocárdica com tálio ou tecnécio (SPECT), e ressonância magnética cardíaca com realce tardio.

Qual a diferença entre miocárdio hibernante e miocárdio atordoado?

Miocárdio hibernante é uma disfunção crônica devido à isquemia persistente, mas reversível. Miocárdio atordoado é uma disfunção aguda e transitória após um episódio de isquemia grave, mesmo com o fluxo sanguíneo restaurado, que se recupera espontaneamente em dias ou semanas.

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