Cardiomiopatia Hipertrófica: Risco e Manejo em Atletas

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 35 anos teve uma pré-síncope ao realizar um triatlo. O quadro ocorreu após a passagem da primeira fase, de natação, para a segunda, de ciclismo. E aconteceu após 10km de ciclismo. O paciente se apresentou pálido, bradicárdico e hipotenso com recuperação após cerca de 60 minutos do início do quadro.O paciente fazia corridas há cerca de 3 anos, de até 5.000m, mas optou por iniciar o treinamento para Triatlo há cerca de 2 meses. Não tinha passado de elevações de pressão arterial. Não apresentava história familiar de cardiopatia ou morte súbita e seus pais tinham cerca de 60 anos, normotensos. Seu eletrocardiograma era normal. Após dois dias, foi realizada uma ecocardiografia que mostrou função sistólica preservada, câmaras direitas e esquerdas com dimensões normais e sem alterações valvares. Apresentava grau leve de disfunção diastólica e aumento das dimensões do septo interventricular (20mm) e parede ventricular posterior (16mm). Uma monitorização eletrocardiográfica de 24h (Holter) surpreendeu três episódios de taquicardia ventricular sem relação com sintomas, com duração entre um minuto e dois minutos cada. Baseado neste quadro considere as afirmações abaixo. I – Não é prudente que este paciente faça atividade física intensa, pelo risco de morte por arritmias complexas. II –Este paciente tem indicação para cardioversor implantável (CDI). III – Com a finalidade de diminuição do risco de morte súbita, este paciente tem indicação de uso de beta bloqueadores adrenérgicos, independendo do grau de sintomas que apresente. Qual a alternativa abaixo que contém todas as afirmações acima corretas.

Alternativas

  1. A)  I.
  2. B)  I, II.
  3. C)  I, III.
  4. D)  II, III.
  5. E)  I, II, III.

Pérola Clínica

CMH com TV assintomática e hipertrofia ventricular significativa (>15mm) indica alto risco de morte súbita e restrição de atividade física intensa, com CDI frequentemente indicado.

Resumo-Chave

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a principal causa de morte súbita em atletas jovens. A presença de hipertrofia ventricular significativa (septo >15mm) e taquicardia ventricular não sustentada (TVNS) assintomática são marcadores de alto risco que justificam restrição de atividade física e consideração de CDI.

Contexto Educacional

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma doença genética caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda inexplicada, na ausência de outras condições que justifiquem o espessamento. É a causa mais comum de morte súbita cardíaca em atletas jovens e adultos. O diagnóstico precoce e a estratificação de risco são cruciais para a prevenção de eventos adversos. O diagnóstico baseia-se em ecocardiografia (espessura da parede ventricular >15mm, ou >13mm com história familiar), eletrocardiograma (ECG) e monitorização eletrocardiográfica de 24h (Holter). A presença de taquicardia ventricular não sustentada (TVNS) no Holter, história de síncope, espessura ventricular extrema (>30mm), história familiar de morte súbita e resposta anormal da pressão arterial ao exercício são fatores de risco para morte súbita. O manejo da CMH envolve restrição de atividade física intensa para reduzir o risco de arritmias fatais. A indicação de cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) é considerada em pacientes com alto risco de morte súbita, como aqueles com TVNS, síncope inexplicada ou história familiar relevante. Beta-bloqueadores são frequentemente usados para controlar sintomas e podem ter um papel na redução do risco, mas não substituem o CDI em indicações claras de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cardiomiopatia hipertrófica?

O diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica é estabelecido pela presença de hipertrofia ventricular esquerda inexplicada, com espessura da parede ventricular maior ou igual a 15mm em qualquer segmento (ou ≥13mm com história familiar de CMH), na ausência de condições que justifiquem tal hipertrofia, como hipertensão arterial grave ou estenose aórtica.

Quando um paciente com CMH tem indicação de CDI?

A indicação de cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) em pacientes com CMH é baseada na estratificação de risco. Fatores de alto risco incluem história de morte súbita abortada, taquicardia ventricular sustentada, síncope inexplicada, espessura máxima da parede ventricular ≥30mm, história familiar de morte súbita prematura e taquicardia ventricular não sustentada no Holter.

Qual o papel da restrição de atividade física na CMH?

A restrição de atividade física intensa é fundamental para pacientes com CMH, especialmente aqueles com fatores de risco para morte súbita. O exercício extenuante pode precipitar arritmias ventriculares fatais. Recomenda-se atividades de baixa intensidade e monitoramento regular.

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