HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2022
Paciente de 71 anos irá realizar hernioplastia inguinal bilateral convencional. Durante a consulta pré-anestésica, queixa-se de fadiga importante aos esforços físicos moderados, e que acorda algumas vezes a noite com dispneia. Nega dor torácica. Nega palpitações. Nega tabagismo. Nega outras comorbidades. Nega cirurgias prévias. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, eupneico, anictérico, acianótico, afebril. Bulhas rítmicas, sem sopros, com ictus cordis desviado a esquerda. Murmúrio vesicular presente bilateral, com crepitações em bases. Abdome flácido, indolor, com fígado palpável a 3 centímetros do rebordo costal direito, indolor. Hérnias inguinais bilaterais não encarceradas. Discreto edema de membros inferiores. É submetido aos exames abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:
Paciente idoso com IC crônica, cardiomegalia (ictus desviado), sem sopros valvulares proeminentes → considerar Cardiomiopatia Chagásica em áreas endêmicas.
A cardiomiopatia chagásica é uma causa comum de insuficiência cardíaca crônica no Brasil, manifestando-se com sintomas como fadiga, dispneia e sinais de congestão (edema, hepatomegalia, crepitações). A presença de cardiomegalia (ictus desviado) sem sopros valvulares proeminentes em um paciente idoso deve levantar a suspeita.
A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é uma infecção endêmica em várias regiões da América Latina, incluindo o Brasil. A fase crônica da doença pode levar ao desenvolvimento da cardiomiopatia chagásica, uma das principais causas de insuficiência cardíaca e morte súbita em adultos jovens e idosos nessas regiões. A importância clínica reside na alta morbimortalidade e na necessidade de um alto índice de suspeição para diagnóstico e manejo adequados. A fisiopatologia da cardiomiopatia chagásica envolve inflamação crônica e fibrose do miocárdio, levando à dilatação ventricular, disfunção sistólica e diastólica, e distúrbios de condução. Clinicamente, os pacientes podem apresentar sintomas de insuficiência cardíaca (fadiga, dispneia, edema), arritmias e fenômenos tromboembólicos. O exame físico pode revelar cardiomegalia (ictus desviado), crepitações pulmonares e hepatomegalia. A ausência de sopros valvulares proeminentes é comum, diferenciando-a de valvulopatias graves. O tratamento da cardiomiopatia chagásica é primariamente de suporte para a insuficiência cardíaca, seguindo as diretrizes para IC com fração de ejeção reduzida, incluindo inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores e diuréticos. O tratamento etiológico com benznidazol ou nifurtimox é mais eficaz na fase aguda, mas pode ser considerado em casos selecionados na fase crônica, especialmente em pacientes jovens sem doença cardíaca avançada. A prevenção da doença é fundamental, controlando o vetor (barbeiro) e a transmissão transfusional.
A cardiomiopatia chagásica crônica manifesta-se principalmente como insuficiência cardíaca, com fadiga, dispneia aos esforços e paroxística noturna, edema de membros inferiores e hepatomegalia. Pode haver cardiomegalia e arritmias.
A cardiomiopatia chagásica deve ser suspeitada em pacientes de áreas endêmicas com insuficiência cardíaca, cardiomegalia e, frequentemente, bloqueios de ramo ou outras arritmias, mesmo na ausência de dor torácica ou sopros valvulares significativos.
O diagnóstico da doença de Chagas é feito por sorologia (ELISA, imunofluorescência indireta) para detectar anticorpos anti-Trypanosoma cruzi. Exames complementares como ECG e ecocardiograma são essenciais para avaliar o comprometimento cardíaco.
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