CDI em Prevenção Primária: Indicações e Evidências

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Em qual das condições a seguir a indicação de cardiodesfibrilador implantável (CDI) na prevenção primária de morte súbita encontra a MELHOR evidência (I.A)?

Alternativas

  1. A) Cardiopatia chagásica crônica com episódios de taquicardia ventricular sustentada estável com fração de ejeção de ventrículo esquerdo < 35% em tratamento clínico otimizado.
  2. B) Cardiopatia isquêmica com história de infarto agudo do miocárdio > 40 dias, sob tratamento farmacológico otimizado, sem isquemia passível de revascularização (cirúrgica) e expectativa de vida de, pelo menos, 1 ano.
  3. C) Cardiopatia não isquêmica na presença de alterações genéticas de alto risco associado a dois ou mais fatores: fração de ejeção do ventrículo esquerdo ≤ 45%, taquicardia ventricular não sustentada, mutação de alto risco e sexo feminino.
  4. D) Cardiomiopatia hipertrófica com hipotensão anormal no esforço, na presença de fatores de risco adicionais, desde que expectativa de vida > 1 ano.

Pérola Clínica

CDI prevenção primária: Cardiopatia isquêmica, FEVE < 35%, IAM > 40 dias, tratamento otimizado, sem isquemia revascularizável, expectativa > 1 ano.

Resumo-Chave

A indicação de CDI em prevenção primária de morte súbita é mais robusta em pacientes com cardiopatia isquêmica, especialmente após infarto agudo do miocárdio (IAM) > 40 dias, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%, sob tratamento clínico otimizado e sem isquemia passível de revascularização. A expectativa de vida mínima de 1 ano é crucial para justificar o procedimento.

Contexto Educacional

O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é um dispositivo vital na prevenção de morte súbita cardíaca, especialmente em pacientes com alto risco de arritmias ventriculares malignas. A indicação de CDI pode ser primária (prevenção antes de um evento de morte súbita) ou secundária (após um evento). A prevenção primária é um tópico crucial em provas de residência e na prática clínica, exigindo a compreensão de critérios rigorosos baseados em evidências. Para a prevenção primária, a melhor evidência (Classe I, Nível A) é para pacientes com cardiopatia isquêmica, história de infarto agudo do miocárdio (IAM) há mais de 40 dias, fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%, sob tratamento farmacológico otimizado e sem isquemia miocárdica passível de revascularização. Além disso, uma expectativa de vida de pelo menos um ano é um pré-requisito para justificar o implante do dispositivo, que visa prolongar a vida com qualidade. É importante diferenciar as indicações para cardiopatia isquêmica e não isquêmica, e considerar a otimização do tratamento clínico, que inclui betabloqueadores, inibidores da ECA/BRA, antagonistas do receptor de mineralocorticoide, entre outros, antes de considerar o CDI. A decisão de implantar um CDI deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios, e sempre em conformidade com as diretrizes atuais de cardiologia.

Perguntas Frequentes

Qual a principal indicação de CDI em prevenção primária de morte súbita?

A principal indicação é em pacientes com cardiopatia isquêmica que tiveram infarto agudo do miocárdio há mais de 40 dias, apresentam fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) igual ou inferior a 35%, estão em tratamento clínico otimizado e não possuem isquemia passível de revascularização, com expectativa de vida superior a um ano.

Por que a fração de ejeção do ventrículo esquerdo é um critério tão importante?

A FEVE é um marcador prognóstico crucial de disfunção ventricular e risco de arritmias ventriculares malignas. Uma FEVE ≤ 35% indica um risco significativamente elevado de morte súbita cardíaca, justificando a intervenção com CDI para prevenção primária.

Quais são os critérios de tempo e tratamento otimizado para a indicação de CDI?

É fundamental que o paciente tenha tido o IAM há mais de 40 dias (ou 3 meses para cardiomiopatia não isquêmica) e esteja em tratamento clínico otimizado por pelo menos 3 meses. Isso permite a recuperação da função ventricular e assegura que a disfunção não seja transitória, garantindo que a indicação do CDI seja baseada em um risco persistente.

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