Cardio-oncologia: Risco Cardiovascular e Escore de Khorana

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Sobre o risco cardiovascular do paciente oncológico, qual a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) A cardiotoxicidade da radioterapia é exclusivamente relacionada à pericardite.
  2. B) Drogas cardiotóxicas são contraindicadas em paciente que apresentam fatores de risco cardiovascular (ex: hipertensão arterial).
  3. C) O escore de Khorana pode ser útil para avaliar indicação de profilaxia primária de eventos tromboembolicos.
  4. D) Antraciclinas são drogas com baixo perfil de cardiotoxicidade, sendo preferenciais para pacientes com disfunção miocárdica.

Pérola Clínica

Escore de Khorana ≥ 2 → Considerar tromboprofilaxia primária no paciente oncológico ambulatorial.

Resumo-Chave

A cardio-oncologia foca na prevenção e manejo de complicações como IC por antraciclinas e o alto risco de eventos tromboembólicos, onde o escore de Khorana é a ferramenta padrão.

Contexto Educacional

A cardio-oncologia é uma subespecialidade emergente que lida com a complexa interação entre o tratamento do câncer e o sistema cardiovascular. O aumento da sobrevida dos pacientes oncológicos tornou as complicações cardiovasculares a segunda maior causa de morbimortalidade nessa população. O manejo envolve a estratificação de risco pré-tratamento, monitoramento durante a terapia e vigilância a longo prazo. O risco de tromboembolismo venoso é significativamente elevado no câncer devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pela neoplasia e pelos tratamentos. O escore de Khorana validou a identificação de pacientes que se beneficiam de tromboprofilaxia primária com anticoagulantes orais diretos (DOACs) ou heparina de baixo peso molecular. Além disso, o reconhecimento precoce da cardiotoxicidade por drogas como antraciclinas e trastuzumabe é crucial para evitar a progressão para insuficiência cardíaca franca.

Perguntas Frequentes

O que avalia o escore de Khorana?

O escore de Khorana é uma ferramenta de predição de risco para tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes com câncer que iniciarão quimioterapia ambulatorial. Ele considera o tipo de câncer (muito alto risco como pâncreas/estômago), contagem de plaquetas (≥350k), hemoglobina (<10g/dL), contagem de leucócitos (>11k) e IMC (≥35 kg/m²). Um escore ≥ 2 indica alto risco.

Por que as antraciclinas são preocupantes na cardiologia?

As antraciclinas (como a doxorrubicina) possuem cardiotoxicidade dose-dependente e muitas vezes irreversível, podendo causar disfunção ventricular sistólica e insuficiência cardíaca. Elas não são preferenciais em pacientes com disfunção miocárdica prévia, exigindo monitoramento rigoroso com ecocardiograma e strain global longitudinal.

Quais os efeitos cardíacos da radioterapia?

A radioterapia torácica pode causar danos em múltiplas estruturas cardíacas, não apenas no pericárdio. Pode levar a doença arterial coronariana acelerada, valvulopatias (especialmente calcificação), distúrbios de condução e fibrose miocárdica, muitas vezes manifestando-se anos após o tratamento.

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