Cardio-oncologia: Toxicidade Cardiovascular do Tratamento do Câncer

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

Doenças cardiovasculares e câncer são as maiores causas de óbitos no Brasil. Somente NÃO sendo adequado considerar que:

Alternativas

  1. A) O avanço no tratamento das neoplasias aumentou a sobrevida dessa população, que passou a ter maior exposição aos fatores de risco tradicionais para desenvolvimento de doença aterosclerótica.
  2. B) Os pacientes oncológicos, por estarem submetidos a um estado pró-inflamatório e pró trombótico, podem desenvolver aterosclerose de forma mais acelerada, com maior risco de desenvolvimento de SCA.
  3. C) O próprio tratamento da neoplasia com radioterapia e quimioterapia tem efeitos colaterais coronários deletérios.
  4. D) O tratamento não leva a ocorrência de vaso espasmo e injúria endotelial.

Pérola Clínica

Tratamento oncológico (quimio/radio) PODE causar vasoespasmo e injúria endotelial, aumentando risco cardiovascular.

Resumo-Chave

O tratamento oncológico, incluindo quimioterapia e radioterapia, pode ter efeitos cardiotóxicos diretos, como vasoespasmo coronariano e injúria endotelial, que contribuem para o desenvolvimento acelerado de aterosclerose e eventos cardiovasculares, como a Síndrome Coronariana Aguda (SCA). É crucial monitorar e manejar esses riscos em pacientes com câncer.

Contexto Educacional

A cardio-oncologia é uma subespecialidade emergente que aborda a interface entre doenças cardiovasculares e câncer. Com os avanços no tratamento oncológico, a sobrevida dos pacientes com câncer tem aumentado significativamente. Consequentemente, a população oncológica está vivendo mais tempo e, portanto, está mais exposta aos fatores de risco cardiovasculares tradicionais, além de sofrer os efeitos diretos e indiretos dos tratamentos contra o câncer no sistema cardiovascular. Os pacientes oncológicos frequentemente apresentam um estado pró-inflamatório e pró-trombótico, que pode acelerar o processo aterosclerótico e aumentar o risco de eventos como a Síndrome Coronariana Aguda (SCA). Além disso, os próprios tratamentos antineoplásicos, como a quimioterapia e a radioterapia, são conhecidos por seus efeitos cardiotóxicos. A radioterapia torácica pode induzir fibrose miocárdica, pericardite, valvulopatias e doença coronariana acelerada. A quimioterapia, por sua vez, pode causar disfunção ventricular, arritmias, hipertensão e, crucialmente, vasoespasmo coronariano e injúria endotelial. Medicamentos como 5-fluorouracil e capecitabina são exemplos clássicos de agentes que podem induzir vasoespasmo, levando a quadros de angina ou infarto. Portanto, a afirmação de que o tratamento "não leva a ocorrência de vasoespasmo e injúria endotelial" é incorreta, tornando-a a alternativa a ser marcada. É fundamental para os residentes estarem cientes desses riscos para um manejo multidisciplinar e preventivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais mecanismos de cardiotoxicidade da quimioterapia?

A quimioterapia pode causar cardiotoxicidade por diversos mecanismos, incluindo disfunção miocárdica direta (ex: antraciclinas), isquemia (ex: 5-fluorouracil, capecitabina por vasoespasmo), hipertensão arterial, arritmias e tromboembolismo.

Como a radioterapia torácica afeta o sistema cardiovascular?

A radioterapia torácica pode causar danos ao pericárdio (pericardite), miocárdio (fibrose, disfunção), valvas cardíacas (estenose, insuficiência) e vasos coronarianos (aterosclerose acelerada, estenose), aumentando o risco de eventos cardiovasculares a longo prazo.

Por que a cardio-oncologia é uma área de crescente importância?

Com o aumento da sobrevida dos pacientes com câncer devido aos avanços terapêuticos, as doenças cardiovasculares se tornaram uma das principais causas de morbidade e mortalidade nessa população. A cardio-oncologia visa prevenir, monitorar e tratar essas complicações, otimizando o cuidado integral do paciente oncológico.

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