PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Em relação ao câncer de vesícula biliar, assinale a alternativa CORRETA.
Câncer de vesícula biliar → Baixa ressecabilidade (25%) e cirurgia como única cura.
O câncer de vesícula biliar é frequentemente diagnosticado em estágios avançados, limitando as opções curativas à ressecção cirúrgica radical em uma minoria de pacientes.
O carcinoma da vesícula biliar é a neoplasia maligna mais comum do trato biliar. Sua apresentação clínica é frequentemente inespecífica, mimetizando sintomas de colelitíase ou colecistite crônica, o que contribui para o diagnóstico tardio. A invasão local é facilitada pela ausência de camada submucosa na parede da vesícula e pela proximidade direta com o fígado. A ressecabilidade é o principal determinante prognóstico. Infelizmente, devido à disseminação linfática e venosa precoce, apenas cerca de 25% dos pacientes apresentam doença localizada passível de ressecção R0 no momento do diagnóstico. O tratamento curativo envolve a colecistectomia radical, que inclui a ressecção dos segmentos hepáticos IVb e V e a linfadenectomia do hilo hepático. O papel da quimioterapia adjuvante tem ganhado espaço com regimes baseados em capecitabina.
O adenocarcinoma é o tipo histológico mais comum, representando mais de 90% dos casos de câncer de vesícula biliar. Outros tipos, como o carcinoma espinocelular ou o carcinoma indiferenciado, são extremamente raros. O adenocarcinoma geralmente se origina da mucosa da vesícula e tem um comportamento biológico agressivo, com tendência à invasão direta do parênquima hepático e disseminação linfonodal precoce para o ligamento hepatoduodenal.
O fator de risco mais importante é a colelitíase crônica, especialmente quando associada a cálculos grandes (> 3 cm). A inflamação crônica causada pelos cálculos predispõe à metaplasia e displasia do epitélio biliar. Outros fatores relevantes incluem a 'vesícula em porcelana' (calcificação da parede), pólipos de vesícula maiores que 1 cm, anomalias da junção biliopancreática e infecções crônicas por Salmonella typhi. A obesidade e o sexo feminino também apresentam maior incidência epidemiológica.
Em cerca de 1% a 2% das colecistectomias realizadas por doença calculosa benigna, o câncer de vesícula é encontrado incidentalmente no exame anatomopatológico da peça cirúrgica. Nesses casos, a conduta depende do estadiamento T: tumores T1a (limitados à lâmina própria) geralmente são curados apenas com a colecistectomia simples, enquanto tumores T1b ou superiores exigem reintervenção para ampliação de margens (hepatectomia em cunha do leito vesicular) e linfadenectomia portal.
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