MedEvo Simulado — Prova 2026
Arnaldo, 72 anos, ex-tabagista (carga tabágica de 45 anos-maço), procurou o serviço de urologia com queixa de hematúria macroscópica indolor e intermitente há 4 meses. Após investigação inicial com cistoscopia, que evidenciou lesão vegetante de 3 cm em parede lateral direita, foi submetido à ressecção transuretral de bexiga (RTU-B). O laudo anatomopatológico revelou carcinoma de células uroteliais de alto grau, com invasão da lâmina própria (estadiamento pT1). O patologista ressalta, no entanto, que não foram identificadas fibras da camada muscular própria (músculo detrusor) nos fragmentos enviados para análise. O paciente apresenta bom estado performance (ECOG 0) e função renal preservada. Diante desse cenário histopatológico e clínico, a conduta mais adequada é:
pT1 alto grau ou ausência de detrusor na RTU-B → Re-RTU em 2-6 semanas.
A re-ressecção (Re-RTU) é obrigatória em tumores T1 ou quando a amostra inicial é insuficiente (sem detrusor) para excluir invasão muscular oculta.
O câncer de bexiga não músculo-invasivo (CBNMI) de alto risco, como o pT1, exige manejo rigoroso para evitar a progressão para doença músculo-invasiva. A ausência de músculo detrusor no laudo anatomopatológico invalida o estadiamento definitivo, tornando a Re-RTU mandatória. Além de corrigir o subestadiamento, a Re-RTU remove doença residual que pode estar presente em mais de 50% dos casos, otimizando a eficácia da imunoterapia intravesical com BCG.
A Re-RTU é fundamental porque até 30-50% dos pacientes com diagnóstico inicial de pT1 apresentam tumor residual ou são subestadiados, escondendo uma invasão da camada muscular (T2). A presença de músculo detrusor na amostra é o marcador de qualidade da ressecção. Mesmo com detrusor presente, em tumores de alto grau ou T1, a re-ressecção aumenta a sobrevida livre de progressão e melhora a resposta a terapias subsequentes como o BCG.
As diretrizes da EAU e AUA recomendam que a re-ressecção seja realizada entre 2 a 6 semanas após a RTU inicial. Esse intervalo permite a cicatrização inicial do leito cirúrgico, facilitando a identificação de áreas suspeitas residuais, mas sem atrasar o tratamento definitivo caso a doença seja mais agressiva do que o inicialmente previsto.
Uma RTU-B de alta qualidade exige a descrição completa do tumor (tamanho, número, localização), a ressecção de fragmentos exofíticos e, crucialmente, a inclusão de fibras do músculo detrusor na base da lesão para confirmar que não há invasão da camada muscular própria, o que mudaria drasticamente a conduta para cistectomia ou quimioterapia.
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