UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 70 anos apresenta hematúria indolor. AP: ex-tabagista. Cistoscopia: duas lesões papilíferas na parede lateral da bexiga, a maior de 3 cm. Anatomopatológico: carcinoma urotelial não invasivo. A conduta é:
Carcinoma urotelial não invasivo (Ta/T1) → Ressecção Transuretral (RTU) + BCG intravesical.
O tratamento padrão para tumores de bexiga não músculo-invasivos de alto risco ou recorrentes envolve a imunoterapia intravesical com BCG para reduzir a recorrência e progressão.
O câncer de bexiga é frequentemente diagnosticado em estágios não invasivos (Ta, T1 ou CIS). O sintoma clássico é a hematúria indolor em pacientes com histórico de tabagismo. A avaliação inicial é feita por cistoscopia e confirmada por biópsia ou ressecção transuretral. A estratificação de risco é crucial para definir a terapia adjuvante. Enquanto tumores de baixo risco podem ser manejados apenas com RTU e uma dose única de quimioterapia intravesical imediata, os tumores de maior volume ou grau exigem ciclos de indução e manutenção com BCG. A vigilância rigorosa com cistoscopias periódicas é mandatória devido à alta taxa de recidiva desta patologia.
A imunoterapia intravesical com o Bacilo Calmette-Guérin (BCG) é indicada principalmente para pacientes com câncer de bexiga não músculo-invasivo (CBNMI) classificados como de risco intermediário ou alto. Isso inclui tumores T1, carcinoma in situ (CIS) ou tumores Ta de alto grau. O objetivo é eliminar células neoplásicas residuais após a ressecção transuretral (RTU) e reduzir significativamente as taxas de recorrência e progressão para doença invasiva.
O BCG promove uma resposta imune local intensa. Após a instilação, o bacilo se liga ao urotélio e é internalizado pelas células tumorais e macrófagos. Isso desencadeia a liberação de citocinas inflamatórias e a ativação de células T citotóxicas, células NK e macrófagos, que passam a reconhecer e destruir as células neoplásicas. É considerada a imunoterapia mais eficaz para tumores sólidos não invasivos.
As contraindicações absolutas incluem imunodeficiência grave, tratamento com imunossupressores, tuberculose ativa e história de reação sistêmica grave ao BCG (BCGite). Além disso, não deve ser administrado nas primeiras 2 a 4 semanas após uma RTU de bexiga ou em presença de hematúria macroscópica traumática, devido ao risco de absorção sistêmica do bacilo e sepse por BCG.
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