Carcinoma Seroso de Ovário: Diagnóstico e Sinais Chave

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 63 anos, nulípara, há 10 anos na menopausa, refere estar muito cansada nos últimos 6 meses. Cita aumento de abdómen e dor em região pélvica. Ao exame físico: massa pélvica palpável em região anexial esquerda de aproximadamente 15 cm e provável ascite. Ecografia transvaginal: útero anteroversofletido de 7,1x3,4x2,8 cm e lesão heterogénea no anexo esquerdo, cístico-sólida, de contorno irregular, com 11,0 cm de diâmetro e intensa vascularização ao Doppler colorido (com índice de resistência: 0,3). Traz os seguintes exames: antígeno derivado da proteína do epidídimo humano (HE4) de 37 pM (Valor ref.: < 150 pM), Câncer Antigen 125 (CA 125) de 135 U/mL (Valor ref.: < 35 U/mL) e antígeno carcinoembrionário (CEA) de < 3,5 mcg/L (Valor ref.: 3,8 mcg/L). Em relação ao caso, qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Tumor de origem germinativa de ovário
  2. B) Adenoma fibroso de ovário
  3. C) Cistoadenoma seroso
  4. D) Carcinoma seroso

Pérola Clínica

Massa anexial cístico-sólida em pós-menopausa + CA 125 ↑ + ascite + vascularização intensa → Alta suspeita de carcinoma seroso de ovário.

Resumo-Chave

A combinação de idade avançada, nuliparidade, massa anexial complexa com ascite, CA 125 elevado e baixa resistência ao Doppler sugere fortemente malignidade ovariana, sendo o carcinoma seroso o tipo mais comum e agressivo. O HE4 normal, neste contexto, não exclui a malignidade.

Contexto Educacional

O carcinoma seroso de ovário é o tipo histológico mais comum e agressivo dos tumores epiteliais de ovário, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à sua apresentação insidiosa. Fatores de risco incluem idade avançada, nuliparidade e história familiar. A suspeita clínica surge com sintomas inespecíficos como dor pélvica, distensão abdominal e fadiga, que podem ser atribuídos a outras condições, atrasando o diagnóstico. A fisiopatologia envolve a transformação maligna das células epiteliais da superfície ovariana. O diagnóstico é guiado pela avaliação clínica, marcadores tumorais como CA 125 (geralmente elevado) e HE4 (útil, mas pode ser normal em alguns casos), e exames de imagem, principalmente a ultrassonografia transvaginal. Achados ultrassonográficos de massa cístico-sólida, contornos irregulares, septos espessos, vegetações e alta vascularização ao Doppler com baixo índice de resistência são altamente sugestivos de malignidade. O tratamento primário envolve cirurgia citorredutora seguida de quimioterapia adjuvante. O prognóstico é desafiador devido ao diagnóstico tardio e à alta taxa de recorrência. É crucial que residentes e estudantes de medicina estejam atentos aos sinais de alerta e à correta interpretação dos exames complementares para um manejo precoce e adequado, melhorando as chances de sobrevida das pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do carcinoma seroso de ovário?

Os principais sinais incluem aumento do volume abdominal, dor pélvica, fadiga e sintomas gastrointestinais inespecíficos. A ascite e a presença de massa anexial palpável são achados comuns em estágios avançados.

Qual a importância do CA 125 e HE4 na avaliação de massa anexial?

O CA 125 é um marcador sensível para tumores epiteliais de ovário, mas não específico. O HE4 é mais específico, especialmente para o carcinoma seroso e endometrioide. A combinação de ambos (algoritmo ROMA) melhora a predição de malignidade.

Quais achados ultrassonográficos sugerem malignidade em uma massa anexial?

Achados sugestivos de malignidade incluem componente sólido, septos espessos, vascularização interna intensa ao Doppler com baixo índice de resistência, ascite, e presença de vegetações ou papilas.

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