UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
Considere o seguinte caso clínico: Paciente de 59 anos, com achado ultrassonográfico de lesão ovariana cística com septações, de 14 cm de diâmetro. Dosagem sérica de CA125: 284,00. Foi realizada laparatomia exploradora e a biópsia de congelação foi compatível com carcinoma seroso de ovário. Pode-se afirmar que há semelhança do padrão histológico encontrado e o epitélio da seguinte estrutura e que o tratamento recomendado são, respectivamente:
Carcinoma seroso de ovário → histologia semelhante à tuba uterina; tratamento = histerectomia total + anexectomia bilateral + citorredução.
O carcinoma seroso de ovário é o tipo histológico mais comum de câncer epitelial de ovário, com forte semelhança morfológica e molecular ao epitélio da tuba uterina, sugerindo uma origem tubária para muitos casos. O tratamento padrão envolve cirurgia radical com histerectomia total, anexectomia bilateral e citorredução.
O carcinoma seroso de ovário é o tipo histológico mais prevalente entre os cânceres epiteliais de ovário, representando a maioria dos casos de alto grau. Sua apresentação clínica é frequentemente tardia, como no caso descrito, com massas volumosas e CA125 elevado. A compreensão de sua origem e tratamento é fundamental para a prática ginecológica e oncológica. Estudos recentes de patologia molecular e genética têm demonstrado uma forte semelhança entre o carcinoma seroso de ovário e o epitélio da tuba uterina, especialmente as células fimbriais, levando à teoria de que muitos desses tumores se originam na tuba e se disseminam para o ovário. O diagnóstico definitivo é histopatológico, muitas vezes realizado por biópsia de congelação durante a laparotomia exploradora, que orienta a extensão da cirurgia. A presença de septações em lesões císticas e CA125 elevado são indicativos de malignidade. O tratamento padrão para o carcinoma seroso de ovário, especialmente em estágios avançados, é a cirurgia de citorredução primária, que inclui histerectomia total, anexectomia bilateral (remoção de ovários e tubas), omentectomia e biópsias peritoneais, com o objetivo de remover o máximo de doença macroscópica. Após a cirurgia, a maioria das pacientes necessita de quimioterapia adjuvante. A extensão da citorredução é um dos fatores prognósticos mais importantes. Residentes devem estar aptos a reconhecer os achados clínicos e de imagem sugestivos, entender a histogênese e dominar os princípios do manejo cirúrgico e adjuvante para otimizar os resultados para essas pacientes.
A origem mais aceita para o carcinoma seroso de ovário, especialmente o de alto grau, é o epitélio da tuba uterina, especificamente as fímbrias, através de lesões precursoras como o Carcinoma Intraepitelial Seroso Tubário (STIC).
O CA125 é um marcador tumoral útil no diagnóstico diferencial de massas pélvicas, monitoramento da resposta ao tratamento e detecção de recorrência do câncer de ovário. Níveis elevados, como no caso, sugerem malignidade, mas não são específicos.
A citorredução é um procedimento cirúrgico que visa remover o máximo possível de tecido tumoral visível, idealmente deixando doença residual menor que 1 cm, para melhorar a eficácia da quimioterapia adjuvante e o prognóstico da paciente.
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