INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um paciente do sexo masculino, 55 anos de idade, tabagista 60 maços/ano, com tosse crônica há mais de 10 anos, relata que há cerca de três meses observou a presença de sangue na secreção eliminada com a tosse. Refere ainda perda de cerca de 15% do peso habitual nesse mesmo período, anorexia, adinamia e sudorese noturna. A radiografia de tórax realizada por ocasião da consulta é mostrada: Qual a hipótese diagnóstica mais provável nesse caso?
Tabagista pesado + Hemoptise + Perda ponderal = Carcinoma Pulmonar até prova em contrário.
O quadro de tosse crônica que evolui com hemoptise, anorexia e perda de peso significativa em um paciente com alta carga tabágica é clássico para neoplasia maligna pulmonar.
O carcinoma pulmonar é uma das principais causas de morte por câncer no mundo, fortemente associado ao tabagismo. A fisiopatologia envolve o acúmulo de mutações genéticas no epitélio brônquico causadas por carcinógenos do tabaco. O quadro clínico clássico de um paciente de meia-idade, tabagista pesado, com hemoptise e perda ponderal, deve direcionar imediatamente a investigação para malignidade. O diagnóstico diferencial inclui tuberculose (especialmente em áreas endêmicas), aspergiloma e bronquiectasias infectadas. Contudo, a idade e a carga tabágica de 60 maços/ano tornam a neoplasia a hipótese estatisticamente mais provável. O manejo inicial envolve a confirmação histopatológica (via broncoscopia ou biópsia percutânea) e o estadiamento TNM para definir a proposta terapêutica, que pode variar de cirurgia curativa a cuidados paliativos.
Os sinais de alerta incluem tosse persistente ou mudança no padrão da tosse crônica, hemoptise (sangue no escarro), dor torácica, dispneia e sintomas sistêmicos conhecidos como 'sintomas B' (perda de peso superior a 10% em 6 meses, febre e sudorese noturna). Em pacientes tabagistas, qualquer alteração radiológica nova ou sintoma respiratório persistente deve ser investigado com tomografia de tórax de alta resolução, pois a radiografia simples pode omitir lesões precoces.
A carga tabágica, calculada em maços/ano (número de maços por dia multiplicado pelos anos de fumo), é o principal fator de risco para o carcinoma broncogênico. Pacientes com carga superior a 30 maços/ano apresentam um risco exponencialmente maior. O tabagismo está relacionado a diversos tipos histológicos, especialmente o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de pequenas células, que tendem a ser centrais e causar sintomas obstrutivos ou hemoptise precocemente.
A radiografia de tórax é frequentemente o primeiro exame solicitado, podendo revelar massas, nódulos, atelectasias, alargamento mediastinal ou derrame pleural. No entanto, sua sensibilidade é limitada para lesões pequenas ou localizadas atrás do coração e diafragma. Diante de uma suspeita clínica forte (como no caso clínico apresentado), mesmo uma radiografia sugestiva deve ser seguida por uma Tomografia Computadorizada (TC) de tórax com contraste para estadiamento e planejamento de biópsia.
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