CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 55 anos, tabagista inveterado, apresenta quadro de tosse crônica, dispneia leve e perda de peso há cerca de 1 mês. Refere 1 episódio de hemoptise. Ao exame físico, apresentava linfonodo supraclavicular e sibilos à ausculta pulmonar. A radiografia de tórax evidenciou massa hilar à direita, volumosa e derrame pleural moderado. Foi então submetido à broncoscopia com biópsia que evidenciou neoplasia indiferenciada com células em "grão de aveia". Sobre as características deste tumor, seu prognóstico e tratamento, assinale a alternativa INCORRETA:
CPPC (células em grão de aveia) → altamente agressivo, disseminado ao diagnóstico, tratamento principal é quimio/radio, cirurgia raramente indicada.
O carcinoma de pequenas células (CPPC) é um tipo de câncer de pulmão com alta malignidade e rápida disseminação. A presença de linfonodo supraclavicular e derrame pleural já indica doença avançada, tornando a ressecção cirúrgica inviável e o prognóstico reservado. O tratamento é sistêmico, com quimioterapia e radioterapia.
O Carcinoma de Pequenas Células de Pulmão (CPPC) representa cerca de 15% dos cânceres de pulmão e está fortemente associado ao tabagismo. É conhecido por sua agressividade, rápido crescimento e alta taxa de metástases precoces, o que o diferencia do Câncer de Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC). A identificação de células em 'grão de aveia' na biópsia é patognomônica e indica um prognóstico geralmente reservado, exigindo uma abordagem terapêutica específica. A fisiopatologia do CPPC envolve mutações genéticas que levam à proliferação celular descontrolada e à capacidade de metástase precoce. O diagnóstico é histopatológico, complementado por exames de imagem para estadiamento. A suspeita clínica surge em pacientes tabagistas com sintomas respiratórios e sistêmicos, e achados como massa hilar, linfonodomegalia mediastinal ou supraclavicular e derrame pleural já sugerem doença avançada. A avaliação de metástases cerebrais é rotineira devido à alta incidência. O tratamento do CPPC é predominantemente sistêmico, com quimioterapia à base de platina e etoposídeo, frequentemente combinada com radioterapia torácica para doença limitada. A imunoterapia tem ganhado espaço em alguns cenários. A cirurgia é raramente indicada, exceto em casos muito selecionados de doença em estágio I. O prognóstico é desafiador, mas o tratamento adequado pode prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida, sendo o acompanhamento multidisciplinar fundamental para esses pacientes.
Os sinais e sintomas do CPPC são inespecíficos e incluem tosse crônica, dispneia, dor torácica, perda de peso, fadiga e, ocasionalmente, hemoptise. Devido à sua rápida disseminação, síndromes paraneoplásicas (como SIADH ou síndrome de Cushing) podem ser a primeira manifestação.
A cirurgia raramente é uma opção para o CPPC porque, na maioria dos casos, a doença já está disseminada no momento do diagnóstico, seja por metástases à distância ou envolvimento linfonodal extenso. O tratamento primário é sistêmico, com quimioterapia e radioterapia, visando controlar a doença em múltiplos sítios.
O estadiamento do CPPC é simplificado em doença limitada (restrita a um hemitórax e linfonodos regionais que podem ser incluídos em um campo de radioterapia) ou doença extensa (qualquer coisa além da doença limitada). Exames como tomografia de tórax e abdome, ressonância de crânio e PET-CT são cruciais para definir o estadiamento.
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