INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente com 63 anos, trabalhador rural, tabagista há 43 anos-maço, apresenta lesão peniana há 3 meses. Refere presença crônica de secreção esbranquiçada no sulco balanoprepucial, e ter notado, há 3 meses, aparecimento de "ferida" que não cicatrizou, apesar do uso de pomada de neomicina. Ao exame físico, verificam-se: secreção esbranquiçada de odor fétido no sulco balanoprepucial, em pequena quantidade; lesão ulcerada de 0,8 cm de diâmetro, na glande, de bordos regulares e levemente elevados com fundo esbranquiçado.Nesse caso, diante da hipótese diagnóstica mais provável, qual é a conduta adequada?
Lesão peniana ulcerada crônica em tabagista com higiene precária → Alta suspeita de carcinoma peniano, biópsia é mandatória.
Uma lesão peniana ulcerada que não cicatriza, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e má higiene (fimose/balanopostite crônica), deve levantar forte suspeita de carcinoma peniano. A biópsia é o padrão ouro para o diagnóstico definitivo.
O carcinoma peniano é uma neoplasia rara em países desenvolvidos, mas com maior incidência em regiões com menor acesso à higiene e saúde, como algumas áreas rurais do Brasil. É uma doença com alta morbidade e mortalidade se não diagnosticada precocemente. A identificação de fatores de risco como fimose, má higiene, tabagismo e infecção por HPV é crucial para a suspeita clínica. A fisiopatologia está ligada à inflamação crônica e à exposição a carcinógenos (esmegma, HPV). O diagnóstico precoce é essencial. A apresentação clínica mais comum é uma lesão ulcerada, vegetante ou infiltrativa no pênis que não cicatriza. A presença de secreção fétida pode indicar infecção secundária ou necrose tumoral. Diante de qualquer lesão suspeita, especialmente em pacientes com fatores de risco, a hipótese de malignidade deve ser prioritária. A conduta adequada é a biópsia incisional da lesão para confirmação histopatológica. O tratamento varia conforme o estágio da doença, podendo incluir cirurgia (penectomia parcial ou total), radioterapia e quimioterapia. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar à progressão local e metástases linfonodais, comprometendo o prognóstico. A educação sobre higiene e a circuncisão em casos de fimose são medidas preventivas importantes.
Os principais fatores de risco incluem fimose (incapacidade de retrair o prepúcio), má higiene local, infecção pelo HPV, tabagismo e idade avançada. A fimose e a higiene precária favorecem a acumulação de esmegma, que é carcinogênico.
A biópsia é fundamental porque é o único método que permite o diagnóstico histopatológico definitivo do carcinoma peniano. Lesões crônicas que não cicatrizam com tratamentos convencionais devem ser biopsiadas para descartar malignidade e iniciar o tratamento adequado precocemente.
Os diagnósticos diferenciais incluem infecções sexualmente transmissíveis (sífilis, herpes genital, cancro mole), balanopostites, líquen escleroso e outras condições inflamatórias. A persistência da lesão e os fatores de risco devem sempre levantar a suspeita de malignidade.
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