Carcinoma de Paratireoide: Diagnóstico e Abordagem Cirúrgica

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019

Enunciado

FDR, 61 anos, sexo feminino, secretária aposentada, relata fraqueza muscular, fadiga, depressão, nauseas e poliúria. O exame físico detectou linfonodos aumentados nas adeias cervicais à esquerda. A dosagem de PTHi foi bem elevada, assim como a de cálcio (15mg/dL). Ocorreu captação significativa à cintilografia com sestamibi na região cervical anterior esquerda. A ultrassonografia mostrou perda de planos de clivagem entre as paratireoides e a glândula tireoide, que estava normal. Em relação à doença desta paciente e seu tratamento cirúrgico, assinale alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A abordagem cirúrgica deve envolver o tumor em bloco associado a lobectomia da tireoide ipsilateral e tecidos moles adjacentes com suspeita de invasão
  2. B) A biopsia de congelação para confirmação de malignidade não deve ser realizada antes da ressecção em bloco
  3. C) A grande maioria se deve à malignização de um adenoma
  4. D) Esta paciente tem maior risco de desenvolver doença óssea ou renal associada do que os portadores de adenomas

Pérola Clínica

Carcinoma de paratireoide: hipercalcemia grave + PTH muito ↑. É raro e não malignização de adenoma.

Resumo-Chave

O quadro de hipercalcemia grave (15 mg/dL), PTH muito elevado e massa cervical com invasão de planos (perda de clivagem) é altamente sugestivo de carcinoma de paratireoide, uma condição rara. A malignização de um adenoma é extremamente incomum; a maioria dos carcinomas surge de novo.

Contexto Educacional

O carcinoma de paratireoide é uma neoplasia endócrina rara, responsável por menos de 1% dos casos de hiperparatireoidismo primário. Apesar de sua raridade, é uma condição grave com potencial de metástase e alta morbimortalidade. O quadro clínico é frequentemente mais severo do que no hiperparatireoidismo benigno, caracterizado por hipercalcemia acentuada (geralmente cálcio sérico > 14 mg/dL) e níveis de PTH muito elevados, muitas vezes várias vezes o limite superior da normalidade. Sintomas como fraqueza muscular, fadiga, poliúria, náuseas e depressão são comuns e mais intensos. A presença de uma massa cervical palpável e fixada é um achado importante. O diagnóstico pré-operatório do carcinoma de paratireoide pode ser desafiador, mas a combinação de hipercalcemia grave, PTH muito elevado e achados de imagem como uma massa grande (>3 cm) com invasão de estruturas adjacentes (perda de planos de clivagem na ultrassonografia) ou metástases regionais/à distância na cintilografia com sestamibi ou outros exames de imagem, deve levantar forte suspeita. A biópsia por congelação intraoperatória pode auxiliar, mas a confirmação definitiva é histopatológica pós-ressecção. O tratamento do carcinoma de paratireoide é primariamente cirúrgico e consiste na ressecção em bloco do tumor, incluindo a glândula paratireoide afetada, o lobo tireoidiano ipsilateral e quaisquer tecidos moles adjacentes que apresentem suspeita de invasão. A linfadenectomia cervical pode ser realizada se houver linfonodos suspeitos. A cura é alcançada principalmente pela ressecção completa da doença. É crucial entender que, ao contrário do que a alternativa incorreta sugere, a malignização de um adenoma de paratireoide é um evento extremamente raro; a maioria dos carcinomas surge de novo. Pacientes com carcinoma de paratireoide têm um risco significativamente maior de desenvolver complicações ósseas e renais devido à hipercalcemia mais grave e persistente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas que sugerem carcinoma de paratireoide?

Carcinoma de paratireoide deve ser suspeitado em pacientes com hipercalcemia grave (geralmente > 14 mg/dL), níveis de PTH muito elevados, massa cervical palpável e sintomas como fraqueza muscular, fadiga, poliúria e náuseas.

Qual a abordagem cirúrgica recomendada para o carcinoma de paratireoide?

A abordagem cirúrgica envolve a ressecção em bloco do tumor, incluindo a glândula paratireoide afetada, o lobo tireoidiano ipsilateral e quaisquer tecidos moles adjacentes que apresentem suspeita de invasão, além de linfadenectomia cervical se houver suspeita de metástase.

É comum que um adenoma de paratireoide se transforme em carcinoma?

Não, a malignização de um adenoma de paratireoide é extremamente rara. O carcinoma de paratireoide é uma entidade distinta que geralmente surge de novo, não como progressão de um adenoma benigno.

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