CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Paciente, sexo feminino, 45 anos de idade, é encaminhada ao ambulatório de cirurgia por apresentar nódulo palpável em região cervical anterior. A paciente nega comorbidades ou uso de medicações. Ao exame, bom estado geral, presença de nódulo palpável na topografia da glândula tireoide, medindo cerca de 1,2cm no maior diâmetro. Foi realizada uma ultrassonografia da região cervical.Indique a principal suspeita diagnóstica para o nódulo cervical.
Carcinoma Papilífero = Neoplasia maligna mais comum da tireoide + excelente prognóstico.
Diante de um nódulo tireoidiano sólido em paciente feminina, o Carcinoma Papilífero é a principal suspeita maligna devido à sua alta prevalência epidemiológica.
O manejo de nódulos de tireoide evoluiu para evitar sobretratamento de lesões indolentes. A ultrassonografia é o padrão-ouro para a avaliação inicial, permitindo a classificação de risco que guiará a necessidade de biópsia (PAAF). O sistema Bethesda é utilizado para padronizar os laudos citopatológicos, onde o Bethesda VI confirma a malignidade. O carcinoma papilífero, apesar de ser a principal suspeita maligna, deve ser diferenciado de outras condições como o carcinoma folicular, medular e anaplásico, além de bocios coloides benignos. A tireoidectomia (total ou parcial) associada ou não à radioiodoterapia permanece como o pilar do tratamento para casos confirmados.
O carcinoma papilífero é o tipo mais comum de câncer de tireoide, representando cerca de 80% a 90% de todos os casos de neoplasias malignas da glândula. É mais frequente em mulheres, com pico de incidência entre a terceira e a quinta décadas de vida. Apresenta, em geral, um comportamento indolente e excelente prognóstico, com taxas de sobrevida em 10 anos superiores a 90%, embora possa apresentar metástases linfonodais cervicais precocemente.
A indicação de Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) depende das características ultrassonográficas (estratificação ACR-TIRADS ou ATA). Nódulos sólidos e hipoecoicos com 1,2 cm geralmente recebem indicação de PAAF se apresentarem pelo menos uma característica de alta suspeita, como microcalcificações, margens irregulares, extensão extratireoidiana ou formato mais alto do que largo. Nódulos puramente císticos ou espongiformes de 1,2 cm geralmente não requerem punção.
As características que aumentam a suspeita de malignidade (especialmente para o carcinoma papilífero) incluem: hipoecogenicidade acentuada, presença de microcalcificações (corpos psamomatosos), margens mal definidas ou infiltrativas, ausência de halo periférico, vascularização central ao Doppler e o sinal 'taller-than-wide' (eixo anteroposterior maior que o transverso).
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