USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher, 40 anos, foi submetida à tireoidectomia total por carcinoma papilífero em lobo esquerdo de tireoide há 6 anos, seguida de iodoterapia porque apresentava extravasamento tumoral macroscópico para musculatura pré-tireoidiana. Há 2 meses teve COVID-19 associada a quadro de sinusite, com adequada resolução. Em ultrassonografia anual de rotina foi identificado nódulo cístico de 2 cm, junto à bifurcação da carótida esquerda e linfonodos jugulo-carotídeos, globosos, heterogêneos do mesmo lado. Assinale qual é a principal hipótese diagnóstica.
Nódulo cervical cístico + linfonodos heterogêneos pós-tireoidectomia por carcinoma papilífero → metástase.
Em pacientes com histórico de carcinoma papilífero de tireoide tratado, o surgimento de nódulos císticos e linfonodos suspeitos na região cervical, especialmente com características ultrassonográficas de heterogeneidade, deve levantar forte suspeita de metástase ou recidiva da doença.
O carcinoma papilífero de tireoide é o tipo mais comum de câncer de tireoide e, embora geralmente tenha um bom prognóstico, pode apresentar recidivas locais ou metástases, principalmente para linfonodos cervicais. A vigilância pós-operatória é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco como extravasamento tumoral macroscópico, como no caso descrito. A identificação de um nódulo cístico e linfonodos jugulo-carotídeos globosos e heterogêneos em uma paciente com histórico de tireoidectomia total por carcinoma papilífero e iodoterapia levanta uma forte suspeita de metástase. Nódulos císticos na região cervical, especialmente em pacientes com histórico de câncer de tireoide, podem representar metástases císticas de carcinoma papilífero, que é uma apresentação atípica, mas conhecida. A investigação deve incluir ultrassonografia detalhada, dosagem de tireoglobulina sérica (que deve estar indetectável após tireoidectomia total e iodoterapia, a menos que haja doença residual ou recidiva) e, frequentemente, punção aspirativa por agulha fina (PAAF) dos nódulos e linfonodos suspeitos. A análise citopatológica e a dosagem de tireoglobulina no lavado da PAAF são ferramentas diagnósticas essenciais para confirmar a presença de células malignas e, assim, guiar o manejo subsequente, que pode incluir cirurgia de resgate ou nova iodoterapia.
Sinais incluem formato globoso, perda do hilo gorduroso, calcificações, vascularização periférica ou mista, e presença de áreas císticas ou heterogêneas, que são atípicas para linfonodos benignos.
O extravasamento tumoral macroscópico para tecidos adjacentes é um fator de risco para recidiva local e metástase, aumentando a probabilidade de que novos nódulos ou linfonodos suspeitos sejam malignos e necessitem de investigação agressiva.
A investigação envolve ultrassonografia cervical, dosagem de tireoglobulina sérica (se a tireoidectomia foi total e o paciente está em supressão de TSH) e, se necessário, punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do nódulo ou linfonodo para análise citopatológica e dosagem de tireoglobulina no lavado da PAAF.
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