SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024
Paciente, sexo feminino, 36 anos de idade, procura atendimento médico por ter percebido uma nodulação na região anterior do pescoço. Nega comorbidades. Exame físico evidencia nodulação em região anterior do pescoço, do lado esquerdo da traqueia, de consistência firme. Realizado ultrassom de pescoço o qual evidencia nódulo sólido de 0,9 cm no lobo esquerdo da tireoide, sem alterações em cadeia linfonodal. A punção aspirativa por agulha fina evidenciou carcinoma papilar de tireoide. A conduta a ser seguida é:
Carcinoma papilar < 1 cm, sem invasão ou linfonodos → Lobectomia é opção, sem esvaziamento profilático.
Para carcinoma papilar de tireoide unifocal, < 1 cm, sem invasão extratireoidiana ou linfonodos acometidos, a lobectomia é uma conduta adequada. O esvaziamento linfonodal profilático não é rotineiramente indicado nesses casos de baixo risco.
O carcinoma papilar de tireoide (CPT) é o tipo mais comum de câncer de tireoide, representando cerca de 80% dos casos. Geralmente, tem um prognóstico excelente, especialmente quando diagnosticado em estágios iniciais. A avaliação de um nódulo tireoidiano começa com a ultrassonografia de pescoço e, se houver critérios de suspeição, a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) é o método diagnóstico mais importante para definir a natureza do nódulo. No caso de um carcinoma papilar de tireoide com 0,9 cm, unifocal, sem sinais de invasão extratireoidiana ou linfonodos acometidos (microcarcinoma papilar), a conduta cirúrgica tem sido cada vez mais conservadora. As diretrizes atuais, como as da American Thyroid Association (ATA), consideram a lobectomia (remoção do lobo tireoidiano afetado) como uma opção adequada para tumores de baixo risco, como o descrito. Essa abordagem visa preservar a função do lobo contralateral, reduzindo a necessidade de reposição hormonal vitalícia e minimizando os riscos cirúrgicos. O esvaziamento linfonodal profilático (remoção de linfonodos sem evidência de doença) não é recomendado de rotina para microcarcinomas papilares de baixo risco, pois não demonstrou benefício significativo na sobrevida e aumenta a morbidade cirúrgica. A tireoidectomia total é reservada para tumores maiores, multifocais, com invasão extratireoidiana, metástases linfonodais ou à distância, ou em pacientes com alto risco de recorrência. Para residentes, é crucial dominar a estratificação de risco e as indicações cirúrgicas para otimizar o tratamento do câncer de tireoide.
A conduta inicial para um nódulo tireoidiano suspeito geralmente envolve ultrassonografia de pescoço e, dependendo das características ultrassonográficas e do tamanho, a realização de Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) para avaliação citopatológica.
A lobectomia é indicada para carcinoma papilar de tireoide unifocal, com tamanho menor que 4 cm (ou, em alguns guidelines, < 1 cm para microcarcinoma papilar), sem evidência de invasão extratireoidiana, metástases linfonodais ou à distância, e sem história de irradiação cervical ou síndromes genéticas.
O esvaziamento linfonodal profilático (central ou lateral) não é rotineiramente indicado para todos os carcinomas papilares de tireoide. É considerado em casos de doença mais avançada, com evidência de metástases linfonodais no pré-operatório (confirmadas por USG e PAAF) ou intraoperatório, ou em tumores com características de alto risco.
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