Obstrução Duodenal por Câncer de Pâncreas: Diagnóstico

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 48 anos de idade é admitido no hospital com dor abdominal intensa na região epigástrica, iniciada há dois dias, de caráter progressivo. Após monitorização dos sinais vitais constatou-se: FC = 125 bpm, FR = 28 irpm e SatO2 = 88%. Ele relata vômitos biliosos, distensão abdominal e incapacidade de eliminação de gases e fezes. Ao exame físico, apresenta distensão abdominal, timpanismo à percussão e dor à palpação superficial é profunda de todo abdome. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose e elevação das enzimas hepáticas. A tomografia computadorizada abdominal revela uma dilatação significativa do duodeno proximal e uma transição abrupta para o duodeno distal. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.

Alternativas

  1. A) Obstrução duodenal por carcinoma pancreático
  2. B) Doença de Crohn com acometimento duodenal
  3. C) Síndrome do intestino irritável (SII)
  4. D) Úlcera péptica duodenal
  5. E) Perfuração duodenal pós-traumática

Pérola Clínica

Obstrução duodenal + ↑ enzimas hepáticas + transição abrupta na TC → Suspeitar de Neoplasia de Pâncreas.

Resumo-Chave

A obstrução mecânica do duodeno associada a sinais de colestase em adultos sugere compressão extrínseca por neoplasia de cabeça de pâncreas ou periampular.

Contexto Educacional

O carcinoma de cabeça de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas do trato digestivo, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à sua localização retroperitoneal. A obstrução duodenal é uma manifestação comum quando a massa atinge dimensões consideráveis ou infiltra o complexo duodenopancreático. O quadro clínico de dor epigástrica, vômitos biliosos e distensão abdominal alta reflete uma obstrução pós-ampular. Laboratorialmente, a elevação de enzimas hepáticas sugere que a massa também está comprometendo a drenagem biliar, configurando uma síndrome periampular. O manejo inicial foca na descompressão gástrica e suporte hidroeletrolítico, seguido por estadiamento oncológico rigoroso para definir a possibilidade de ressecção cirúrgica (Cirurgia de Whipple) ou necessidade de paliação com stents endoscópicos ou derivações cirúrgicas.

Perguntas Frequentes

Por que o câncer de pâncreas causa obstrução duodenal?

O carcinoma de cabeça de pâncreas está anatomicamente localizado na curvatura do duodeno. Devido ao seu crescimento infiltrativo e expansivo, ele pode comprimir extrinsecamente a segunda porção do duodeno ou invadir diretamente a parede duodenal. Isso resulta em uma obstrução mecânica progressiva, impedindo a passagem do conteúdo gástrico e biliar, o que explica os vômitos biliosos e a dilatação gástrica/duodenal proximal observada nos exames de imagem. Frequentemente, essa obstrução ocorre simultaneamente à compressão do ducto colédoco, gerando o quadro de icterícia obstrutiva associada.

Quais os principais achados tomográficos na obstrução duodenal maligna?

Na tomografia computadorizada com contraste, os achados típicos incluem a dilatação significativa do estômago e do duodeno proximal (primeira e segunda porções) até o ponto de obstrução. Observa-se uma 'transição abrupta' de calibre, onde a massa pancreática geralmente é visível como uma lesão hipocaptante em relação ao parênquima normal. Além disso, pode haver dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas (sinal do duplo ducto) e sinais de invasão de vasos mesentéricos ou metástases hepáticas, que auxiliam no diagnóstico diferencial com causas benignas.

Como diferenciar clinicamente a obstrução maligna da úlcera péptica?

Embora ambas causem dor epigástrica e vômitos, a obstrução por carcinoma pancreático geralmente apresenta um curso mais insidioso e progressivo, frequentemente acompanhado de sinais de síndrome consumptiva (perda de peso, anorexia) e icterícia ou elevação de enzimas hepáticas (GGT, Fosfatase Alcalina, Bilirrubinas). A úlcera péptica estenosante costuma ter uma história prévia de dispepsia crônica e raramente causa colestase, a menos que haja uma complicação muito específica. A idade avançada e a transição abrupta na TC favorecem fortemente a etiologia neoplásica.

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