AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente de 30 anos, nuligesta, com desejo de engravidar, sem comorbidades, apresentou citologia oncótica cérvico-vaginal com diagnóstico de lesão intraepitelial de alto grau. Foi submetida a colposcopia, que evidenciou epitélio acetobranco denso, margens irregulares, vasos atípicos grosseiros e teste de Schiller iodo-negativo. A biópsia de colo uterino confirmou lesão intraepitelial de alto grau. Realizada conização, o laudo anatomopatológico demonstrou carcinoma escamoso invasor do tipo usual, com invasão estromal focal de até 2,5 mm de profundidade, extensão horizontal de 5 mm, ausência de invasão linfovascular e margens ectocervical e endocervical livres. Qual a conduta mais adequada para esta paciente?
Estágio IA1 (invasão <3mm) + sem LVSI + margens livres → Conização é curativa.
No carcinoma microinvasor (IA1) sem invasão linfovascular e com margens livres na conização, o procedimento é considerado diagnóstico e terapêutico, permitindo preservação da fertilidade.
O carcinoma microinvasor de colo uterino representa um desafio diagnóstico que exige correlação entre histopatologia e estadiamento clínico. A transição de uma lesão intraepitelial de alto grau para um carcinoma invasor requer uma análise minuciosa da profundidade de invasão estromal. No estágio IA1, a ausência de invasão linfovascular é o principal preditor de baixo risco para comprometimento parametrial e linfonodal. A conduta conservadora, mantendo apenas o seguimento, é validada por diretrizes internacionais (FIGO/NCCN) para pacientes com margens livres, visando reduzir a morbidade cirúrgica e preservar a função reprodutiva em mulheres jovens.
O estágio IA1, segundo a classificação FIGO 2018, é definido por um carcinoma invasor identificado apenas microscopicamente, com profundidade de invasão estromal menor que 3 mm. Diferente de versões anteriores, a extensão horizontal não é mais utilizada para definir o estágio IA, focando-se exclusivamente na profundidade. É essencial que a peça cirúrgica (geralmente conização) tenha margens livres para garantir a correta avaliação da profundidade total da invasão.
A conização é considerada tratamento definitivo no estágio IA1 quando não há evidência de invasão do espaço linfovascular (LVSI) e as margens da peça (endocervical e ectocervical) estão livres de neoplasia invasora ou pré-invasora. Nestes casos, o risco de metástase linfonodal é extremamente baixo (<1%), dispensando a necessidade de linfadenectomia ou histerectomia, sendo uma excelente opção para pacientes que desejam preservar a fertilidade.
O seguimento deve ser rigoroso, envolvendo citologia oncótica e colposcopia periódicas. Geralmente, recomenda-se a realização de citologia e avaliação cervical a cada 6 meses nos primeiros 2 anos e, posteriormente, anualmente se os resultados forem negativos. Caso surjam novas lesões precursoras ou recidiva invasora, novas intervenções cirúrgicas ou tratamentos adjuvantes devem ser discutidos conforme a extensão da doença.
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