UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015
Paciente L.V.F., feminino, 30 anos, com uma tumoração nodular de 3 cm em lobo esquerdo da tireoide. Apresenta associados hipertensão arterial sistêmica e quadros de diarreias. O tipo histológico do câncer de tireoide mais comum para essa paciente é:
Nódulo tireoide + HAS + diarreia → suspeitar de Carcinoma Medular de Tireoide (CMT).
A associação de nódulo tireoidiano com hipertensão arterial sistêmica e quadros de diarreia sugere fortemente a presença de Carcinoma Medular de Tireoide (CMT), especialmente se for parte de uma Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN 2), que pode incluir feocromocitoma (causando HAS) e hiperparatireoidismo. O CMT produz calcitonina, que pode causar diarreia.
O Carcinoma Medular de Tireoide (CMT) é um tumor neuroendócrino que se origina das células parafoliculares (células C) da tireoide, responsáveis pela produção de calcitonina. Embora menos comum que os carcinomas papilífero e folicular, o CMT é clinicamente importante devido à sua agressividade e à associação com síndromes genéticas. A apresentação clínica do CMT pode incluir um nódulo tireoidiano palpável, mas sintomas sistêmicos são cruciais para a suspeita. A diarreia crônica, muitas vezes secretora e refratária, é um sintoma paraneoplásico comum devido à secreção de calcitonina e outros peptídeos. A hipertensão arterial sistêmica, especialmente se paroxística, pode indicar a presença de um feocromocitoma concomitante, uma condição frequentemente associada ao CMT na síndrome de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN 2). O diagnóstico do CMT envolve a dosagem de calcitonina sérica, ultrassonografia de tireoide e biópsia por aspiração com agulha fina (PAAF) com imuno-histoquímica para calcitonina. A investigação de mutações no gene RET é fundamental, especialmente em casos familiares ou quando há suspeita de MEN 2, para rastreamento de feocromocitoma e hiperparatireoidismo.
Além do nódulo tireoidiano, o CMT pode causar diarreia secretora (devido à calcitonina), rubor facial e, se associado à MEN 2, sintomas de feocromocitoma (hipertensão, palpitações) e hiperparatireoidismo.
A hipertensão pode ser causada por um feocromocitoma concomitante (em MEN 2), enquanto a diarreia é frequentemente um sintoma paraneoplásico devido à secreção excessiva de calcitonina pelo tumor.
A calcitonina sérica é um marcador tumoral sensível e específico para o CMT, sendo utilizada tanto no diagnóstico inicial quanto no monitoramento pós-tratamento.
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