BI-RADS 5 e Conduta no Câncer de Mama Suspeito

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma mulher de 54 anos, na pós-menopausa, comparece ao consultório relatando o aparecimento de um nódulo indolor na mama esquerda há cerca de três meses, com crescimento progressivo. Ao exame físico, observa-se um nódulo de 3,0 cm de diâmetro, de consistência pétrea, com bordos irregulares e fixo aos planos profundos, localizado no quadrante superior externo da mama esquerda. Não há retração cutânea ou descarga papilar. A palpação axilar revela um linfonodo de 2,0 cm, de consistência fibroelástica e móvel. A paciente traz uma mamografia realizada recentemente que descreve uma massa de alta densidade, com margens espiculadas, associada a um grupamento de microcalcificações pleomórficas. Com base no quadro clínico e nos achados de imagem, a classificação BI-RADS mais provável e a conduta diagnóstica inicial recomendada são:

Alternativas

  1. A) BI-RADS 5; Punção aspirativa por agulha fina (PAAF).
  2. B) BI-RADS 4; Mamotomia guiada por estereotaxia.
  3. C) BI-RADS 4; Biópsia por agulha grossa (Core Biopsy).
  4. D) BI-RADS 5; Biópsia por agulha grossa (Core Biopsy).

Pérola Clínica

Massa pétrea + margens espiculadas + microcalcificações → BI-RADS 5 → Core Biopsy.

Resumo-Chave

A classificação BI-RADS 5 indica uma probabilidade de malignidade superior a 95%, exigindo confirmação histológica imediata, preferencialmente por Core Biopsy.

Contexto Educacional

O câncer de mama é a neoplasia mais comum entre as mulheres no Brasil, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. O diagnóstico precoce e a correta aplicação do sistema BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System) são fundamentais para a padronização das condutas. A categoria 5 exige ação imediata devido ao altíssimo valor preditivo positivo para câncer. A abordagem diagnóstica evoluiu para priorizar métodos minimamente invasivos. A Core Biopsy substituiu a biópsia cirúrgica aberta na fase diagnóstica inicial, reduzindo custos e morbidade. Em pacientes na pós-menopausa com massas palpáveis e achados de imagem clássicos, a correlação clínico-radiológica é quase inequívoca, mas a confirmação histopatológica permanece obrigatória antes de qualquer intervenção definitiva.

Perguntas Frequentes

Quais achados mamográficos definem a categoria BI-RADS 5?

A categoria BI-RADS 5 é reservada para achados altamente sugestivos de malignidade, com risco superior a 95%. Os principais critérios incluem massas de alta densidade com margens espiculadas ou irregulares, frequentemente associadas a microcalcificações pleomórficas ou lineares finas. Clinicamente, a presença de um nódulo de consistência pétrea, fixo a planos profundos ou com retração cutânea, reforça essa suspeição. Na mamografia, a distorção arquitetural sem história de cirurgia prévia também é um sinal de alerta importante que pode elevar a classificação para 5.

Por que a Core Biopsy é preferível à PAAF no diagnóstico de câncer de mama?

A Core Biopsy (biópsia por agulha grossa) é o padrão-ouro porque fornece fragmentos de tecido (histologia), permitindo diferenciar o carcinoma in situ do carcinoma invasor, o que a PAAF (citologia) não consegue fazer. Além disso, o tecido obtido pela Core Biopsy possibilita a realização de exames de imuno-histoquímica para determinar o status dos receptores de estrogênio, progesterona, HER2 e o índice de proliferação celular (Ki-67), informações cruciais para o planejamento terapêutico cirúrgico e sistêmico (quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante).

Como interpretar linfonodos axilares palpáveis em pacientes com BI-RADS 5?

A presença de linfonodos axilares palpáveis em uma paciente com lesão mamária BI-RADS 5 sugere fortemente o comprometimento metastático regional (estadiamento N). No caso clínico, o linfonodo de 2,0 cm fibroelástico e móvel deve ser avaliado cuidadosamente. Embora a biópsia do nódulo mamário seja a prioridade diagnóstica, a avaliação axilar por ultrassonografia e, se necessário, punção aspirativa do linfonodo suspeito, faz parte do estadiamento inicial para definir se a paciente será submetida à biópsia do linfonodo sentinela ou esvaziamento axilar.

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