Carcinoma Lobular de Mama: Conduta e Tratamento

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

No posto de saúde você atendeu uma paciente de 51 anos pós-menopausa que apresentou alta densidade em três posições da mama direita em exames de rotina. Submetida a biópsia por agulha que confirmou carcinoma lobular bem diferenciado, sem invasão vascular. Resultado Imunohistoquímica foi “receptor a estrogênio positivo, progesterona positivo e HER 2 negativo”. Qual é a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Excisão cirúrgica dos sítios acometidos + linfonodo sentinela
  2. B) Terapia endócrino pré-operatória por seis meses
  3. C) Radioterapia pré-operatória seguida de cirurgia conservadora
  4. D) Mastectomia + linfonodo sentinela
  5. E) Quimioterapia pré operatória com Doxorrubicina + ciclofosfamida

Pérola Clínica

Carcinoma lobular invasivo RE+/RP+/HER2- → Mastectomia + linfonodo sentinela é conduta padrão para doença localizada.

Resumo-Chave

O carcinoma lobular invasivo, mesmo bem diferenciado e sem invasão vascular, frequentemente apresenta multifocalidade e multicentricidade, o que pode justificar a mastectomia em vez de cirurgia conservadora. A imunohistoquímica RE+/RP+/HER2- indica sensibilidade à terapia endócrina, mas a cirurgia é a primeira linha para doença localizada.

Contexto Educacional

O carcinoma lobular invasivo (CLI) é o segundo tipo histológico mais comum de câncer de mama, representando cerca de 10-15% dos casos. Caracteriza-se por células pequenas que invadem o estroma de forma linear, muitas vezes sem formar massas palpáveis, o que pode dificultar o diagnóstico por imagem e levar a uma maior extensão da doença no momento da detecção. Sua importância clínica reside na sua apresentação multifocal e multicêntrica, que pode influenciar a escolha do tratamento cirúrgico. A fisiopatologia do CLI está frequentemente associada à perda da expressão da E-caderina, uma molécula de adesão celular, o que confere às células lobulares sua característica de crescimento difuso. O diagnóstico é feito por biópsia, e a imunohistoquímica é crucial para determinar o perfil de receptores hormonais (estrogênio e progesterona) e HER2, que guiam a terapia. Tumores RE+/RP+/HER2- são os mais comuns no CLI e indicam boa resposta à terapia endócrina. A conduta para o CLI localizado geralmente envolve cirurgia, que pode ser conservadora ou mastectomia, dependendo da extensão da doença, multifocalidade e preferência da paciente. A biópsia de linfonodo sentinela é padrão para estadiamento axilar. A terapia endócrina adjuvante é indicada para tumores RE+/RP+ para reduzir o risco de recorrência. A radioterapia adjuvante é considerada após cirurgia conservadora ou em casos de mastectomia com fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da imunohistoquímica no carcinoma lobular de mama?

A imunohistoquímica define o perfil molecular do tumor (RE, RP, HER2), orientando o tratamento. RE+/RP+ indica sensibilidade à terapia endócrina, e HER2- significa que não se beneficia de terapias anti-HER2.

Por que a mastectomia pode ser preferível na doença lobular?

O carcinoma lobular invasivo tem uma tendência maior à multifocalidade e multicentricidade em comparação com o ductal, o que pode tornar a cirurgia conservadora menos adequada em alguns casos, justificando a mastectomia.

Quando a terapia endócrina neoadjuvante é indicada para câncer de mama RE+?

A terapia endócrina neoadjuvante é considerada para tumores maiores ou com linfonodos positivos, visando reduzir o tamanho do tumor para possibilitar uma cirurgia conservadora ou para avaliar a resposta biológica.

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