Carcinoma Inflamatório de Mama: Diagnóstico e Manejo

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

Reconhecer os quadros clínicos e realizar o diagnóstico diferencial entre mastite aguda e carcinoma inflamatório pode ser confuso e erroneamente levar ao atraso no tratamento de neoplasia mamária. Sobre o diagnóstico e tratamento do carcinoma inflamatório, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Após ajustes dos fatores de risco, o carcinoma inflamatório tem a mesma sobrevida que o carcinoma de mama em sua apresentação clássica. 
  2. B) A biópsia do linfonodo sentinela não deve ser realizada. 
  3. C) Mesmo na presença de receptores hormonais positivos, a hormonioterapia adjuvante está contraindicada. 
  4. D) O diagnóstico de carcinoma inflamatório é clínico, dispensando a confirmação histopatológica. 
  5. E) No TNM da AJCC 8.ª edição, o carcinoma inflamatório é classificado com “T2d”. 

Pérola Clínica

Carcinoma inflamatório de mama = diagnóstico clínico-patológico, biópsia de linfonodo sentinela NÃO recomendada pré-neoadjuvância.

Resumo-Chave

O carcinoma inflamatório de mama é uma forma agressiva de câncer de mama com diagnóstico primariamente clínico (eritema, edema, pele em casca de laranja) e histopatológico. A biópsia de linfonodo sentinela não é recomendada antes da quimioterapia neoadjuvante devido à alta probabilidade de doença axilar e à necessidade de esvaziamento axilar.

Contexto Educacional

O carcinoma inflamatório de mama (CIM) é uma forma rara e agressiva de câncer de mama, caracterizada por rápida progressão e alta taxa de metástase. Sua apresentação clínica, com eritema, edema e pele em casca de laranja, pode ser confundida com mastite, o que frequentemente atrasa o diagnóstico e tratamento adequado. É crucial para o residente reconhecer os sinais e a importância da biópsia para confirmação histopatológica. O diagnóstico do CIM é clínico-patológico. Embora a apresentação clínica seja sugestiva, a confirmação histopatológica é obrigatória, geralmente por biópsia de pele ou de massa mamária, que revela invasão dos linfáticos dérmicos por células tumorais. A sobrevida do CIM é geralmente pior que a do carcinoma de mama em sua apresentação clássica, mesmo após ajustes de fatores de risco, devido à sua biologia agressiva. O tratamento do CIM é multimodal, iniciando com quimioterapia neoadjuvante, seguida por cirurgia (mastectomia radical modificada) e radioterapia. A biópsia de linfonodo sentinela não é recomendada antes da quimioterapia neoadjuvante, pois a maioria das pacientes já apresenta envolvimento axilar, necessitando de esvaziamento axilar completo. A hormonioterapia e terapia anti-HER2 são indicadas se os receptores forem positivos, como em outros tipos de câncer de mama. O CIM é classificado como T4d no estadiamento TNM da AJCC 8ª edição.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos do carcinoma inflamatório de mama?

Os sinais clínicos incluem eritema difuso, edema (pele em casca de laranja), aumento da temperatura e sensibilidade da mama, sem massa palpável definida em muitos casos, mimetizando uma mastite.

Por que a biópsia de linfonodo sentinela não é recomendada no carcinoma inflamatório de mama?

A biópsia de linfonodo sentinela não é recomendada antes da quimioterapia neoadjuvante devido à alta probabilidade de envolvimento axilar e à necessidade subsequente de esvaziamento axilar, tornando o procedimento desnecessário.

Como o carcinoma inflamatório de mama é classificado no estadiamento TNM?

No estadiamento TNM da AJCC 8ª edição, o carcinoma inflamatório é classificado como T4d, independentemente do tamanho do tumor primário, devido à sua natureza agressiva e envolvimento cutâneo.

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