USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 68 anos, hipertenso, com antecedente de bócio há mais de 20 anos, assintomático até há 2 meses quando refere ter iniciado quadro de aumento progressivo de volume cervical, dificuldade para engolir, perda de peso e episódios de desconforto respiratório. Ao exame físico apresenta massa cervical muito endurecida, fixa, com hiperemia de pele, conforme imagem a seguir: Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta.
Bócio antigo + crescimento rápido + invasão local → Carcinoma Anaplásico.
O carcinoma anaplásico de tireoide é uma neoplasia extremamente agressiva que se apresenta como uma massa cervical de crescimento rápido em idosos, frequentemente sobre um bócio preexistente.
O carcinoma anaplásico (ou indiferenciado) representa menos de 2% dos cânceres de tireoide, mas é responsável pela maioria das mortes relacionadas à glândula. Frequentemente surge a partir de um carcinoma diferenciado pré-existente (papilífero ou folicular) que sofreu desdiferenciação. Sua agressividade é marcada pela rápida duplicação celular e invasão precoce de estruturas vitais do pescoço, como traqueia, esôfago e grandes vasos. O quadro clínico de hiperemia e calor local pode mimetizar um processo inflamatório ou infeccioso (tireoidite aguda ou abscesso), mas a consistência pétrea e a fixação da massa direcionam para a etiologia neoplásica. O estadiamento deve ser sistêmico e imediato, pois metástases à distância (pulmão, ossos) são frequentes ao diagnóstico. O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar urgente.
A apresentação clássica envolve um paciente idoso (6ª a 8ª décadas) com história de bócio de longa data que apresenta um aumento súbito e rápido do volume cervical em poucas semanas. Sintomas de compressão e invasão local são comuns, incluindo disfonia (paralisia de corda vocal), disfagia, dispneia e dor. Ao exame, a massa é endurecida, fixa e pode haver hiperemia cutânea.
O diagnóstico é sugerido pela clínica e exames de imagem (TC ou RM), mas a confirmação requer biópsia. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) pode ser sugestiva, mas muitas vezes é necessária uma biópsia por agulha grossa (core biopsy) ou biópsia incisional para obter tecido suficiente para análise histopatológica e imuno-histoquímica, diferenciando-o de linfomas ou carcinomas medulares.
O prognóstico é reservado, com sobrevida média de meses. O manejo inicial foca na avaliação da via aérea e na ressecabilidade. Se a doença for localizada (raro), a cirurgia radical seguida de radio e quimioterapia é tentada. Na maioria dos casos, o tratamento é multimodal e focado no controle local e qualidade de vida, mas a avaliação de ressecabilidade deve sempre preceder a paliação exclusiva.
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