Câncer de Hipofaringe: Diagnóstico e Conduta no CEC

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 63 anos queixa-se de odinofagia e disfagia para sólidos há 3 semanas. AP: tabagista (60 anos-maço). EF: oroscopia sem lesões; linfonodomegalia de 3,5 cm em cadeia jugulocarotídea direita, arredondada e endurecida. Videolaringoscopia: lesão ulcerada em seio piriforme direito. O diagnóstico e a melhor conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Neoplasia maligna de orofaringe, provável carcinoma espinocelular; biópsia por videolaringoscopia ou laringoscopia direta, se confirmada a hipótese, estadiar com TC de pescoço e tórax com contraste endovenoso.
  2. B) Neoplasia maligna de hipofaringe, provável carcinoma espinocelular; biópsia por videolaringoscopia ou laringoscopia direta, se confirmada a hipótese, estadiar com TC de pescoço e tórax com contraste endovenoso.
  3. C) Neoplasia maligna de orofaringe, provável carcinoma adenóide cístico; TC de pescoço com contraste endovenoso, seguido de biópsia excisional do linfonodo cervical para confirmação histológica.
  4. D) Neoplasia maligna de hipofaringe, provável carcinoma espinocelular; TC de pescoço com contraste endovenoso, seguido de biópsia excisional do linfonodo cervical para confirmação histológica.

Pérola Clínica

Lesão ulcerada em seio piriforme + linfonodo cervical em tabagista = CEC de hipofaringe.

Resumo-Chave

O seio piriforme é a localização mais comum dos tumores de hipofaringe. O diagnóstico requer biópsia (laringoscopia) e o estadiamento exige exames de imagem (TC) para avaliar extensão local e metástases.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular (CEC) de hipofaringe está fortemente associado ao consumo de tabaco e álcool. O seio piriforme é a sub-região mais afetada. Clinicamente, os pacientes apresentam disfagia progressiva, odinofagia e, frequentemente, uma massa cervical palpável, que representa metástase linfonodal. A conduta diagnóstica padrão envolve a visualização direta ou por videolaringoscopia, seguida de biópsia para confirmação histopatológica. Uma vez confirmado o CEC, o estadiamento clínico é realizado com exames de imagem (TC ou RM) e avaliação sob anestesia geral (laringoscopia direta/esofagoscopia) para determinar a extensão exata e planejar o tratamento, que pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os limites anatômicos da hipofaringe?

A hipofaringe é a porção inferior da faringe, estendendo-se do nível do osso hioide até a borda inferior da cartilagem cricoide. Ela é dividida em três regiões principais: os seios piriformes (onde ocorre a maioria das neoplasias), a parede posterior da faringe e a região pós-cricoide. É distinta da orofaringe, que fica acima, e da laringe, que é anterior.

Por que o CEC de hipofaringe costuma ser diagnosticado em estágios avançados?

Devido à anatomia 'silenciosa' da região, os tumores podem crescer significativamente antes de causar sintomas obstrutivos ou dor. Além disso, a hipofaringe possui uma rica rede linfática, o que propicia a disseminação para linfonodos cervicais (como no caso do paciente com linfonodo de 3,5 cm) muito antes do diagnóstico do tumor primário.

Qual o papel da TC no estadiamento destes tumores?

A Tomografia Computadorizada (TC) de pescoço com contraste é fundamental para avaliar a extensão profunda do tumor, invasão de cartilagens laríngeas, envolvimento do espaço pré-epiglótico e, crucialmente, o status dos linfonodos cervicais (N do TNM). A TC de tórax é mandatória para excluir metástases pulmonares e segundos tumores primários, comuns em tabagistas.

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