Carcinoma Hepatocelular: Ressecção em Child-Pugh A

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminina, de 60 anos, ECOG 0, com cirrose pelo vírus da hepatite C (Child-Pugh A), sem evidência de hipertensão portal, com dosagem de alfa-fetoproteína de 2,0 ng/ml (valor de referência: < 10 ng/ml), veio à consulta para definir a conduta após realizar tomografia computadorizada (TC) de abdômen com contraste (imagem abaixo). Trouxe, também, TC de tórax sem alterações significativas. Considerando o exame de imagem e o contexto clínico apresentado, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Repetir o exame de imagem em 3 meses; caso haja crescimento da lesão, realizar alcoolização do nódulo por via percutânea.
  2. B) Indicar biópsia da lesão; caso se confirme o diagnóstico de carcinoma hepatocelular, realizar embolização do ramo esquerdo da veia porta como opção de tratamento.
  3. C) Programar tratamento com quimioembolização arterial da lesão.
  4. D) Indicar cirurgia para ressecção do nódulo.

Pérola Clínica

CHC em Child-Pugh A sem hipertensão portal → Ressecção cirúrgica é a conduta preferencial para cura.

Resumo-Chave

Em pacientes com carcinoma hepatocelular e cirrose compensada (Child-Pugh A), sem evidência de hipertensão portal clinicamente significativa, a ressecção cirúrgica é a opção de tratamento curativo de primeira linha, oferecendo as melhores taxas de sobrevida. A decisão depende da função hepática, número e tamanho dos nódulos, e ausência de invasão vascular ou metástases.

Contexto Educacional

O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e frequentemente se desenvolve em pacientes com cirrose hepática, sendo a infecção crônica pelo vírus da hepatite C um fator de risco importante. A detecção precoce é crucial para o sucesso do tratamento, e o rastreamento em populações de risco é fundamental. A decisão terapêutica para o CHC é complexa e depende de múltiplos fatores, incluindo a função hepática do paciente (avaliada pela classificação de Child-Pugh), o estadiamento do tumor (tamanho, número de nódulos, invasão vascular) e o status de performance. Em pacientes com cirrose compensada (Child-Pugh A) e sem evidência de hipertensão portal clinicamente significativa, a ressecção cirúrgica é considerada a melhor opção curativa para lesões ressecáveis, oferecendo as maiores taxas de sobrevida a longo prazo. Outras opções de tratamento incluem o transplante hepático (para critérios específicos), ablação por radiofrequência ou micro-ondas, quimioembolização transarterial (TACE) e terapias sistêmicas. A escolha da modalidade terapêutica deve ser individualizada e discutida em equipe multidisciplinar, visando maximizar a sobrevida e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para ressecção de CHC em cirróticos?

A ressecção de CHC em cirróticos é indicada para pacientes com cirrose compensada (Child-Pugh A), sem hipertensão portal clinicamente significativa, e com lesões únicas ou poucas, sem invasão vascular ou metástases, e com volume hepático residual adequado.

Qual a importância da classificação Child-Pugh na conduta do CHC?

A classificação Child-Pugh avalia a função hepática e é crucial para determinar a viabilidade de tratamentos invasivos. Pacientes Child-Pugh A geralmente toleram melhor a ressecção, enquanto Child-Pugh B e C podem necessitar de transplante ou terapias menos invasivas.

Quando a alfa-fetoproteína é útil no diagnóstico de CHC?

A alfa-fetoproteína (AFP) é um marcador tumoral que pode estar elevada no CHC, mas sua sensibilidade e especificidade são limitadas. Valores normais não excluem o diagnóstico, e seu uso principal é no rastreamento e monitoramento, não como critério diagnóstico isolado.

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