MedEvo Simulado — Prova 2026
Henrique, um paciente de 54 anos com diagnóstico de hepatite B crônica em acompanhamento regular, realiza ultrassonografia de rotina que identifica uma massa sólida de 4,2 cm no segmento VII do fígado. Ele não apresenta queixas clínicas, estigmas de hepatopatia crônica ou episódios prévios de descompensação. Os exames laboratoriais revelam bilirrubina total de 0,9 mg/dL, albumina de 4,1 g/dL, INR de 1,1 e contagem de plaquetas de 195.000/mm³. A endoscopia digestiva alta não evidenciou varizes esofágicas. A ressonância magnética de abdome confirmou o nódulo com realce arterial intenso seguido de lavagem (washout) na fase portal, sem sinais de invasão vascular ou doença extra-hepática. O restante do parênquima hepático apresenta aspecto preservado, sem sinais claros de cirrose avançada. De acordo com o sistema de estadiamento de Barcelona (BCLC), a conduta terapêutica mais adequada para este paciente é:
HCC único > 2cm + Child-Pugh A + sem Hipertensão Portal → Ressecção Cirúrgica.
O estadiamento BCLC define a conduta no HCC; pacientes com função hepática preservada e tumor ressecável devem ser submetidos à cirurgia para intenção curativa.
O Carcinoma Hepatocelular (HCC) é uma das principais complicações da hepatite B e cirrose. O sistema BCLC (Barcelona Clinic Liver Cancer) é a ferramenta padrão-ouro para orientar o tratamento, integrando o status do tumor, a função hepática (Child-Pugh) e o status de performance do paciente. No caso apresentado, o paciente possui um nódulo de 4,2 cm (BCLC A) e função hepática excelente (Child-Pugh A, sem hipertensão portal), o que torna a ressecção a conduta mais adequada. A ressecção hepática em fígados não cirróticos ou com cirrose muito inicial (comum em pacientes com HBV) apresenta resultados oncológicos superiores. É vital monitorar o volume do remanescente hepático para evitar a falência funcional no pós-operatório. O acompanhamento regular com USG e alfafetoproteína em grupos de risco é o que permite diagnósticos precoces como este, possibilitando terapias com intenção curativa.
A ressecção cirúrgica é a terapia de escolha para pacientes no estágio BCLC 0 (muito precoce) ou A (precoce) que apresentam nódulo único, independentemente do tamanho (embora idealmente < 5cm para melhores desfechos), desde que possuam função hepática preservada (Child-Pugh A) e ausência de hipertensão portal clinicamente significativa. A ausência de hipertensão portal é definida por contagem de plaquetas > 100.000/mm³, ausência de varizes esofágicas na endoscopia e gradiente de pressão venosa hepática < 10 mmHg. Pacientes com hepatite B sem cirrose avançada são candidatos ideais.
A ablação por radiofrequência (RFA) é geralmente preferida para tumores muito pequenos (BCLC 0, < 2cm), especialmente se localizados em áreas de difícil acesso cirúrgico ou em pacientes com comorbidades que aumentam o risco operatório. Embora a ressecção ofereça melhores taxas de controle local para tumores entre 2-5cm, a RFA é uma alternativa eficaz para pacientes que não são candidatos ideais à cirurgia, mas que ainda possuem doença localizada e função hepática compensada, apresentando menor morbidade.
A presença de hipertensão portal é um dos principais contraindicadores para a ressecção hepática, pois aumenta significativamente o risco de descompensação hepática pós-operatória e insuficiência hepática. Em pacientes com HCC dentro dos critérios de Milão (nódulo único < 5cm ou até 3 nódulos < 3cm) que possuem hipertensão portal ou disfunção hepática moderada, o transplante hepático torna-se a opção preferencial, pois trata simultaneamente o tumor e a cirrose subjacente, oferecendo a melhor sobrevida a longo prazo.
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