TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Paciente de 58 anos de idade, admitido em uma unidade de emergência devido a hemorragia intra-abdominal por carcinoma hepatocelular. Apresenta-se ao exame hipocorado (+++/4), taquicardíaco (FC: 140 bpm), hipotenso (PA: 70x45 mmHg), sendo realizada expansão volêmica e hemotransfusão de 3 concentrados total de hemácias. Exames laboratoriais: plaquetas: 80 mil, hemoglobina: 5,5 mg/gdL, TTPA > 40%. Tomografia mostra 02 massas de 3 cm. Em condições ideais, a intervenção correta a ser feita é:
HCC roto com instabilidade hemodinâmica → Embolização por Arteriografia (TAE) é a escolha.
A ruptura espontânea de um HCC é uma emergência oncológica. A embolização arterial é preferível à cirurgia por ser menos invasiva e mais eficaz no controle imediato do sangramento em fígados cirróticos.
A ruptura espontânea do carcinoma hepatocelular (HCC) ocorre em cerca de 3-15% dos casos, sendo uma complicação potencialmente fatal. O mecanismo envolve necrose tumoral, invasão vascular ou hipertensão venosa local. O manejo inicial foca na ressuscitação volêmica agressiva e correção de coagulopatias, mas a intervenção definitiva para parar o sangramento é crucial. A arteriografia com embolização (TAE) tornou-se o tratamento de primeira linha devido à sua alta taxa de sucesso técnico (acima de 90%) e menor morbidade em comparação com a cirurgia de controle de danos. Após a estabilização, o prognóstico a longo prazo depende do estadiamento do tumor e da reserva funcional hepática, sendo que alguns pacientes podem posteriormente ser submetidos a ressecção ou outras terapias curativas.
Pacientes com HCC frequentemente possuem cirrose subjacente e disfunção hepática (Child-Pugh B ou C). Uma laparotomia de emergência em um cenário de choque e coagulopatia apresenta taxas de mortalidade proibitivas. A embolização transarterial (TAE) permite a oclusão seletiva do vaso nutrindo o tumor, controlando o sangramento com mínima agressão ao parênquima hepático remanescente e menor estresse cirúrgico.
A tríade clássica inclui dor abdominal súbita e intensa, choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia) e ascite hemorrágica. Laboratorialmente, observa-se queda abrupta da hemoglobina. O diagnóstico é confirmado por TC com contraste, que mostra extravasamento de contraste (blush arterial) e hemoperitônio.
Não. O transplante hepático exige estabilização prévia, ausência de metástases extra-hepáticas e cumprimento dos Critérios de Milão (ou outros critérios expandidos). Em um cenário de hemorragia ativa e choque, o foco é a hemostasia imediata. O transplante pode ser considerado futuramente se o paciente sobreviver ao evento agudo e preencher os requisitos de listagem.
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