HCC em Cirróticos: Diagnóstico e Indicação de Transplante

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino de 45a, cirrótico AgHBs positivo, com passado recente de hemorragia digestiva alta varicosa, Child Pugh B7, com nódulo hepático de 2,2 cm em Segmento VIII, hipervascularizado na fase arterial e com wash-out precoce na CT e RMN contrastadas. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ablação percutânea após biópsia com agulha TRUCUT confirmando neoplasia.
  2. B) Transplante hepático sem biópsia prévia.
  3. C) Hepatectomia direita sem biópsia prévia.
  4. D) Segmentectomia VII sem biópsia prévia.
  5. E) Quimioembolização arterial seguida de Transplante hepático.

Pérola Clínica

Nódulo hepático >1cm com padrão vascular típico de HCC em cirrótico → diagnóstico radiológico, considerar transplante se critérios.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos, um nódulo hepático com características radiológicas típicas de carcinoma hepatocelular (hipervascularização arterial e wash-out) é diagnóstico, dispensando biópsia. Se o paciente preenche os critérios de Milão e tem disfunção hepática (Child-Pugh B), o transplante hepático é a melhor opção.

Contexto Educacional

O carcinoma hepatocelular (HCC) é a principal complicação da cirrose hepática, e sua detecção precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Em pacientes cirróticos, a vigilância regular com ultrassonografia é recomendada. Uma vez detectado um nódulo, a investigação prossegue com exames de imagem contrastados, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RMN). O diagnóstico de HCC em pacientes cirróticos pode ser estabelecido radiologicamente, sem a necessidade de biópsia, quando o nódulo apresenta o padrão vascular típico: hipervascularização na fase arterial e "wash-out" (rápida eliminação do contraste) nas fases portal ou tardia. Este critério é aplicável para nódulos maiores que 1 cm. A biópsia é reservada para casos atípicos ou quando o diagnóstico radiológico não é conclusivo. A conduta terapêutica para o HCC depende do estágio do tumor, da função hepática subjacente (avaliada pela classificação Child-Pugh ou MELD) e do estado geral do paciente. No caso apresentado, o paciente tem cirrose Child-Pugh B e um HCC que se enquadra nos Critérios de Milão (nódulo único de 2,2 cm). O transplante hepático é a opção mais adequada, pois trata tanto o tumor quanto a doença hepática subjacente, oferecendo as melhores taxas de sobrevida a longo prazo para pacientes elegíveis. Outras opções incluem ablação percutânea, ressecção cirúrgica (se boa função hepática e ausência de hipertensão portal significativa) e quimioembolização, mas o transplante é preferível neste cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são as características radiológicas que sugerem carcinoma hepatocelular em um nódulo hepático?

As características incluem hipervascularização na fase arterial e "wash-out" (rápida eliminação do contraste) nas fases portal ou tardia, em exames como TC ou RMN com contraste.

Quando a biópsia hepática pode ser dispensada no diagnóstico de HCC?

A biópsia pode ser dispensada quando há um nódulo >1 cm em fígado cirrótico com duas características radiológicas típicas de HCC ou um nódulo >2 cm com uma característica típica.

O que são os Critérios de Milão para transplante hepático em HCC?

Os Critérios de Milão definem que o paciente é elegível para transplante se tiver um único nódulo de HCC com até 5 cm, ou até três nódulos, nenhum deles maior que 3 cm, sem invasão vascular macroscópica ou metástases extra-hepáticas.

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