Carcinoma Hepatocelular: Diagnóstico e Tratamento em Cirrose

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 65 anos de idade, com hepatite C e cirrose diagnosticados há 6 anos. Identificou nódulo hepático em ultrassom abdominal de seguimento. A hepatite C está com resposta virológica sustentada. Realizada endoscopia digestiva alta que não identificou varizes de esôfago. Tem função hepática preservada (Child-Pugh A).Ao exame, está anictérico, sem encefalopatia e não apresenta estigmas de hepatopatia crônica. Palpação abdominal sem alterações. Os exames laboratoriais não apresentam alterações e a alfafetoproteína é normal. Realizada tomografia computadorizada que evidenciou nódulo bem delimitado entre os segmentos 2 e 3 medindo 3,5 x 3,3 cm. As fases contrastadas evidenciaram lesão hipervascular com fluxo rápido e homogêneo na fase arterial, seguido de lavagem (“washout”) nas fases mais tardias. Qual a afirmativa correta?

Alternativas

  1. A) Alfafetoproteina normal exclui o diagnóstico de carcinoma hepatocelular.
  2. B) A função hepática preservada autoriza a hepatectomia parcial.
  3. C) A biópsia da lesão é essencial para a confirmação diagnóstica e definição da conduta.
  4. D) A inclusão em fila de transplante hepático está contraindicada.

Pérola Clínica

Nódulo hepático em cirrótico com padrão radiológico típico (hipervascularização arterial + washout) e Child-Pugh A → hepatectomia parcial é opção.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos, um nódulo hepático com padrão de hipervascularização arterial e washout nas fases tardias na tomografia é altamente sugestivo de Carcinoma Hepatocelular (HCC), dispensando biópsia para diagnóstico. Com função hepática preservada (Child-Pugh A) e lesão única, a hepatectomia parcial é uma opção curativa.

Contexto Educacional

O Carcinoma Hepatocelular (HCC) é a complicação mais grave da cirrose hepática, independentemente da etiologia. Pacientes com cirrose, como o descrito no caso (hepatite C prévia), têm um risco anual elevado de desenvolver HCC, o que justifica a vigilância regular com ultrassonografia abdominal. O diagnóstico precoce é fundamental para a possibilidade de tratamento curativo e melhora do prognóstico. O diagnóstico de HCC em pacientes cirróticos pode ser estabelecido por critérios radiológicos não invasivos, conforme as diretrizes atuais (por exemplo, LIRADS). A presença de um nódulo com hipervascularização na fase arterial e "washout" nas fases portal ou tardia em exames de imagem contrastados (TC ou RM) é patognomônica para HCC, dispensando a necessidade de biópsia, que carrega riscos de sangramento e disseminação tumoral. A alfafetoproteína, embora útil, não é um marcador exclusivo e pode ser normal em muitos casos de HCC. As opções de tratamento para HCC dependem do estágio da doença, da função hepática do paciente (avaliada pela classificação de Child-Pugh) e da presença de comorbidades. Para pacientes com função hepática preservada (Child-Pugh A) e lesões localizadas (como um nódulo único), a ressecção cirúrgica (hepatectomia parcial) é uma opção curativa. Outras opções incluem ablação por radiofrequência, quimioembolização e transplante hepático, este último sendo considerado para pacientes que se enquadram nos critérios de Milão ou expandidos. A decisão terapêutica deve ser multidisciplinar e individualizada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios radiológicos para o diagnóstico de Carcinoma Hepatocelular em pacientes cirróticos?

Em pacientes cirróticos, o diagnóstico de HCC pode ser feito por imagem (TC ou RM) se houver um nódulo com hipervascularização na fase arterial e "washout" (lavagem) na fase portal ou tardia, sem necessidade de biópsia.

Quando a hepatectomia parcial é uma opção de tratamento para HCC?

A hepatectomia parcial é uma opção curativa para HCC em pacientes com função hepática preservada (Child-Pugh A), lesão única ou poucas lesões pequenas, e sem evidência de invasão vascular ou metástases.

A alfafetoproteína normal exclui o diagnóstico de Carcinoma Hepatocelular?

Não, a alfafetoproteína normal não exclui o diagnóstico de HCC. Embora seja um marcador tumoral útil, cerca de 30-40% dos pacientes com HCC podem ter níveis normais, especialmente em estágios iniciais.

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