HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2022
Paciente de 60 anos, portador de cirrose hepática por vírus da hepatite C. A tomografia mostra nódulo com hipercaptação de contraste na fase arterial. Alfa-feto: 55 (normal: 15). Diagnóstico mais provável:
Nódulo hepático em cirrótico com hipercaptação arterial e alfa-feto ↑ = CHC até prova em contrário.
Em pacientes com cirrose hepática, um nódulo com hipercaptação de contraste na fase arterial e elevação da alfa-fetoproteína é altamente sugestivo de Carcinoma Hepatocelular (CHC), dispensando a biópsia para o diagnóstico em muitos casos, conforme os critérios de imagem.
O Carcinoma Hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e a terceira causa mais comum de morte por câncer globalmente. A grande maioria dos casos de CHC ocorre em pacientes com cirrose hepática de qualquer etiologia, sendo a infecção crônica pelos vírus da hepatite B (HBV) e C (HCV) as causas mais prevalentes. O rastreamento regular de pacientes cirróticos é fundamental para a detecção precoce e melhora do prognóstico. A fisiopatologia do CHC em cirróticos envolve um processo de inflamação crônica, fibrose e regeneração celular desregulada, que culmina na transformação maligna dos hepatócitos. O diagnóstico do CHC em pacientes com cirrose é frequentemente feito por métodos não invasivos, utilizando exames de imagem dinâmicos (tomografia computadorizada ou ressonância magnética com contraste) e, em alguns casos, a dosagem da alfa-fetoproteína (AFP). A presença de um nódulo com padrão de hipercaptação arterial e washout portal/tardio é altamente sugestiva de CHC, especialmente se a AFP estiver elevada, seguindo os critérios de LI-RADS. O tratamento do CHC depende do estágio da doença, da função hepática do paciente e da presença de comorbidades. As opções incluem ressecção cirúrgica, transplante hepático, ablação por radiofrequência, quimioembolização transarterial (TACE), radioembolização (TARE) e terapias sistêmicas (inibidores de tirosina quinase, imunoterapia). O prognóstico melhora significativamente com a detecção e tratamento precoces, ressaltando a importância do rastreamento em populações de risco.
Os principais fatores de risco são a cirrose hepática de qualquer etiologia (hepatites virais B e C, doença hepática gordurosa não alcoólica, doença hepática alcoólica, hemocromatose), exposição a aflatoxinas e algumas doenças metabólicas hereditárias.
Esses exames de imagem são cruciais para o diagnóstico não invasivo do CHC em pacientes cirróticos. A presença de um nódulo com hipercaptação de contraste na fase arterial e washout na fase portal/tardia é altamente característico de CHC, conforme os critérios de LI-RADS.
A alfa-fetoproteína (AFP) é um marcador tumoral que pode estar elevada no CHC. Embora não seja diagnóstica por si só, sua elevação em pacientes de risco, especialmente em conjunto com achados de imagem, aumenta a suspeita. É também utilizada no rastreamento e monitoramento da resposta ao tratamento.
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