AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Sobre o transplante de fígado para carcinoma hepatocelular, assinale a alternativa INCORRETA:
AFP > 1000 ng/mL é marcador de agressividade e alto risco de recorrência pós-transplante de fígado.
A alfafetoproteína (AFP) não é apenas diagnóstica; ela é um biomarcador prognóstico crucial que influencia a elegibilidade e o sucesso do transplante no carcinoma hepatocelular.
O carcinoma hepatocelular (CHC) ocorre predominantemente em fígados cirróticos, o que torna o transplante uma opção terapêutica ideal, pois trata simultaneamente a neoplasia e a doença de base. A pontuação de exceção no sistema MELD permite que esses pacientes tenham prioridade na fila, baseando-se na biologia tumoral e não apenas na disfunção hepática. A compreensão moderna do CHC exige uma avaliação que vai além do tamanho (critérios morfológicos). A dinâmica da AFP e a resposta às terapias de ponte (bridging) ou downstaging são indicadores fundamentais do comportamento biológico do tumor. A afirmação de que a AFP não é usada para entendimento do prognóstico está incorreta, pois ela é um dos preditores mais fortes de falha terapêutica.
Os Critérios de Milão são o padrão-ouro para selecionar pacientes com carcinoma hepatocelular (CHC) para transplante de fígado. Eles definem que o paciente é elegível se apresentar: um nódulo único de até 5 cm ou até três nódulos, cada um com no máximo 3 cm, sem evidência de invasão vascular macroscópica ou doença extra-hepática. Pacientes dentro desses critérios apresentam sobrevida pós-transplante comparável a pacientes transplantados por doenças não malignas.
A alfafetoproteína (AFP) é um marcador biológico de agressividade tumoral. Níveis elevados (especialmente acima de 400-1000 ng/mL) estão associados a um maior risco de invasão microvascular e recorrência do câncer após o transplante, mesmo que o paciente esteja dentro dos critérios morfológicos de Milão. Atualmente, muitos sistemas de alocação de órgãos utilizam a AFP como critério de exclusão ou para monitorar a resposta ao tratamento pré-transplante.
Downstaging refere-se ao uso de terapias locorregionais (como quimioembolização, ablação por radiofrequência ou radioembolização) para reduzir o tamanho ou o número de nódulos tumorais em pacientes que inicialmente excediam os critérios de Milão. Se o tumor responder e regredir para dentro dos limites de Milão, o paciente pode se tornar elegível para o transplante, apresentando resultados de sobrevida satisfatórios.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo