Transplante de Fígado e HCC: Critérios e Prognóstico

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025

Enunciado

Sobre o transplante de fígado para carcinoma hepatocelular, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Com o intuito de priorizar esse grupo de pacientes na fila de espera do transplante, são atribuídos pontos de exceção para aqueles que tiverem lesões dentro dos chamados critérios de Milão.
  2. B) Muitos centros empregam terapias locorregionais, incluindo quimioembolização transarterial, ablação por radiofrequência e radioembolização usando Y90 para "rebaixar" os pacientes para os critérios de Milão, prática conhecida como downstaging.
  3. C) Níveis de alfafetoproteína são utilizados para auxiliar no diagnóstico, não sendo utilizados para entendimento do prognóstico desses pacientes.
  4. D) Quase todos os pacientes com câncer hepatocelular apresentam fibrose ou cirrose significativa.

Pérola Clínica

AFP > 1000 ng/mL é marcador de agressividade e alto risco de recorrência pós-transplante de fígado.

Resumo-Chave

A alfafetoproteína (AFP) não é apenas diagnóstica; ela é um biomarcador prognóstico crucial que influencia a elegibilidade e o sucesso do transplante no carcinoma hepatocelular.

Contexto Educacional

O carcinoma hepatocelular (CHC) ocorre predominantemente em fígados cirróticos, o que torna o transplante uma opção terapêutica ideal, pois trata simultaneamente a neoplasia e a doença de base. A pontuação de exceção no sistema MELD permite que esses pacientes tenham prioridade na fila, baseando-se na biologia tumoral e não apenas na disfunção hepática. A compreensão moderna do CHC exige uma avaliação que vai além do tamanho (critérios morfológicos). A dinâmica da AFP e a resposta às terapias de ponte (bridging) ou downstaging são indicadores fundamentais do comportamento biológico do tumor. A afirmação de que a AFP não é usada para entendimento do prognóstico está incorreta, pois ela é um dos preditores mais fortes de falha terapêutica.

Perguntas Frequentes

O que são os Critérios de Milão no transplante hepático?

Os Critérios de Milão são o padrão-ouro para selecionar pacientes com carcinoma hepatocelular (CHC) para transplante de fígado. Eles definem que o paciente é elegível se apresentar: um nódulo único de até 5 cm ou até três nódulos, cada um com no máximo 3 cm, sem evidência de invasão vascular macroscópica ou doença extra-hepática. Pacientes dentro desses critérios apresentam sobrevida pós-transplante comparável a pacientes transplantados por doenças não malignas.

Como a alfafetoproteína influencia o transplante de fígado?

A alfafetoproteína (AFP) é um marcador biológico de agressividade tumoral. Níveis elevados (especialmente acima de 400-1000 ng/mL) estão associados a um maior risco de invasão microvascular e recorrência do câncer após o transplante, mesmo que o paciente esteja dentro dos critérios morfológicos de Milão. Atualmente, muitos sistemas de alocação de órgãos utilizam a AFP como critério de exclusão ou para monitorar a resposta ao tratamento pré-transplante.

O que é a estratégia de downstaging no CHC?

Downstaging refere-se ao uso de terapias locorregionais (como quimioembolização, ablação por radiofrequência ou radioembolização) para reduzir o tamanho ou o número de nódulos tumorais em pacientes que inicialmente excediam os critérios de Milão. Se o tumor responder e regredir para dentro dos limites de Milão, o paciente pode se tornar elegível para o transplante, apresentando resultados de sobrevida satisfatórios.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo