Carcinoma Hepatocelular em Cirrose: Indicação de Transplante

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, de 58 anos, com cirrose por HCV, sem história de etilismo, realizou tomografia computadorizada de abdômen contrastada. No laudo, constava: Há 2 nódulos hepáticos, um no segmento III. medindo 2,7 cm e outro no segmento VI. medindo 2,3 cm, ambos com realce heterogêneo pelo contraste na fase arterial e diminuição do realce pelo contraste nas fases portal e tardia. Não há sinais de invasão vascular ou linfonodomegalias intra-abdominais. Fígado de bordos rombos, ascite moderada, esplenomegalia (baço com 18 cm) e extensa circulação colateral porto-sistêmica. Tomografia computadorizada de tórax estava normal. Exames laboratoriais indicaram albumina de 2,2 g/dl (valor de referência - VR: 3,5-5,2 g/dl), INR de 1,6, bilirrubina total de 1,7 mg/dl (VR: 0,2-1,2 mg/dl) e alfafetoproteína de 87 ng/ml (VR: < 10 ng/ml). Considerando o quadro clínico, qual dos tratamentos abaixo está indicado?

Alternativas

  1. A) Hepatectomia não regrada de ambas as lesões
  2. B) Hepatectomia regrada do segmento III e do segmento VI do fígado
  3. C) Transplante hepático
  4. D) Tratamento sistêmico com sorafenibe apenas

Pérola Clínica

CHC em cirrótico com critérios de Milão e disfunção hepática (ascite, coagulopatia) → Transplante hepático é a melhor opção.

Resumo-Chave

O paciente apresenta carcinoma hepatocelular (CHC) em fígado cirrótico (HCV, ascite, esplenomegalia, disfunção hepática). Os nódulos estão dentro dos critérios de Milão para transplante hepático. Dada a cirrose avançada, o transplante é a melhor opção, pois trata tanto o tumor quanto a doença hepática subjacente, o que não seria alcançado com ressecção ou tratamento sistêmico isolado.

Contexto Educacional

O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e frequentemente se desenvolve em pacientes com cirrose hepática, sendo a infecção crônica pelo vírus da hepatite C (HCV) uma das principais causas. O diagnóstico do CHC em pacientes cirróticos é baseado em achados radiológicos característicos (realce arterial e washout em tomografia ou ressonância) e, por vezes, na elevação da alfafetoproteína. A escolha do tratamento para CHC depende de múltiplos fatores, incluindo a extensão do tumor (número e tamanho dos nódulos), a função hepática subjacente (avaliada por Child-Pugh e MELD) e o estado geral do paciente. Para pacientes com cirrose e CHC que se enquadram nos critérios de Milão (um nódulo < 5 cm ou até três nódulos, nenhum > 3 cm, sem invasão vascular ou metástases), o transplante hepático é a opção terapêutica de escolha. O transplante hepático oferece a vantagem de remover tanto o tumor quanto o fígado cirrótico, tratando a doença de base e prevenindo o desenvolvimento de novos tumores no fígado remanescente. Em contraste, a ressecção hepática, embora curativa em casos selecionados, é geralmente reservada para pacientes com boa função hepática e cirrose compensada, devido ao alto risco de descompensação pós-operatória em fígados cirróticos avançados. Terapias locorregionais (ablação, quimioembolização) e sistêmicas (sorafenibe, lenvatinibe) são consideradas para pacientes fora dos critérios de transplante ou ressecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Milão para transplante hepático em CHC?

Os critérios de Milão incluem um único nódulo de CHC com diâmetro máximo de 5 cm, ou até três nódulos, nenhum com mais de 3 cm de diâmetro, sem invasão vascular macroscópica ou metástases extra-hepáticas.

Por que o transplante hepático é preferível à ressecção em pacientes cirróticos com CHC?

Em pacientes com cirrose e disfunção hepática significativa, o transplante hepático remove tanto o tumor quanto o fígado doente, tratando a doença de base e prevenindo a recorrência do CHC no fígado remanescente, com menor risco de descompensação pós-operatória.

Qual o significado do realce arterial e washout na TC para CHC?

O realce arterial (hipervascularização na fase arterial) seguido de washout (diminuição do realce nas fases portal e tardia) é um padrão radiológico característico e altamente sugestivo de carcinoma hepatocelular em pacientes com cirrose.

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