SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
No que se refere ao contexto da epidemiologia de neoplasia hepática no Brasil, assinale a alternativa que indica o fator de risco que apresenta associação significativa com o desenvolvimento de carcinoma hepatocelular.
HBV é oncogênico direto: pode causar Carcinoma Hepatocelular mesmo sem cirrose prévia.
A infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) é um dos principais fatores de risco para o carcinoma hepatocelular, possuindo mecanismos de carcinogênese direta e indireta.
O carcinoma hepatocelular (CHC) representa a vasta maioria das neoplasias primárias do fígado. Sua epidemiologia está intrinsecamente ligada à distribuição das hepatites virais e da cirrose. No Brasil, embora a hepatite C e o álcool sejam causas prevalentes de cirrose, a hepatite B mantém um papel crucial devido ao seu potencial oncogênico único. Diferente de outros fatores, o HBV pode induzir o CHC em fígados não cirróticos, o que altera as estratégias de vigilância. A vacinação contra o HBV é considerada a primeira 'vacina contra o câncer' por reduzir drasticamente a incidência de CHC em populações vacinadas. O manejo clínico exige alta suspeição em pacientes com hepatopatia crônica, utilizando exames de imagem dinâmicos (TC ou RM com contraste) para confirmação diagnóstica baseada no padrão de 'wash-in' e 'wash-out'.
O HBV causa carcinoma hepatocelular (CHC) através de mecanismos diretos e indiretos. Indiretamente, a inflamação crônica e a regeneração celular contínua levam à cirrose, que é pré-maligna. Diretamente, o DNA do HBV pode se integrar ao genoma do hospedeiro, causando instabilidade genômica e ativando oncogenes ou inativando genes supressores de tumor, como o p53.
Os principais fatores de risco incluem a cirrose hepática de qualquer etiologia (álcool, hepatites virais, esteato-hepatite metabólica), infecção crônica pelos vírus B (HBV) e C (HCV), consumo excessivo de álcool e exposição à aflatoxina (toxina de fungos em grãos mal armazenados). Atualmente, a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD) vem crescendo como causa importante.
O rastreamento é indicado para pacientes com cirrose (Child-Pugh A ou B) e portadores crônicos de HBV com critérios de risco. O protocolo padrão consiste na realização de ultrassonografia de abdome superior a cada 6 meses, associada ou não à dosagem de alfa-fetoproteína (AFP), visando o diagnóstico em estágios precoces passíveis de cura.
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